118 - O GOSTO AMARGO DA INFIDELIDADE – PARTE 1 (S.S.)




SEGUNDA-FEIRA, 06 DE MAIO DE 2019.

Ressaca.

Mesmo após quase um domingo inteiro dormindo, eu ainda sentia meu corpo moído, mas claro, não pairava sobre mim NENHUM arrependimento do que fiz. O cansaço e fadiga eram menores, mas presentes, e por pouco não dei um atestado médico para descansar ainda mais, porém, seria muita irresponsabilidade minha tal atitude; eu extrapolei e devia arcar com as consequências disso, por mais que as salas de aula daquela escola não merecessem meu esforço.

Eu não sentia tanto sono, sinal de que o descanso fez bem, mas meu cu estava bem besuntado de pomada anestésica, afinal, meu amante pauzudo castigou o bichinho sem dó. Ele ainda ardia bastante e latejava, e eu não sei o que incomodava mais, se era sentir as dores, ou a viscosidade da pomada em fricção com a calcinha, mesmo eu trajando uma saia indiana.

Tomando meu desjejum na padaria, faminta, esperei que Rodrigo aparecesse, mas nem sinal dele. Coitado, também estava baqueado, mais do que eu, porque o esforço maior no sexo é do homem, e ele deu conta de quatro, depois teve o bis comigo e Ayla, e mais: provavelmente o pobrezinho ainda teve de dar uma com Juliette. Só podia estar em frangalhos...

Fui para a escola, mas antes, dei uma olhada na banca de Fabiana para saber se Rodrigo estava lá, mas não, só haviam os mesmos abutres de sempre. De fato, o pastor estava recluso, restabelecendo suas forças, então segui caminhando, morta de preguiça, quando...

—Ê coragem hein safadona? Está pior do que eu! Comentou Raimunda, atrás de mim.

—Oi Mundoca, pois é, acordei atrasada para pegar a coragem de hoje! Comentei.

—Não sei o que é pior, dar aula para esses vagabas, ou passar quase o dia todo naquela formação ouvindo merdas que jamais conseguiremos aplicar na prática! Disse a coroa.

—Ah meu Deus... hoje é dia de formação é? Aff! Comentei, já me estressando.

—Pelo seu estado... o final de semana foi daqueles hein? Comentou Ramunda, e ri.

—Sim, foi maravilhoso, mas depois que o sangue esfria...! Repliquei, e rimos.

—O meu também foi bom, mas... poderia ter sido melhor! Comentou a coroa, e a fitei admirada. É... não é só no grupo que o feedback negativo existia. Raimunda me fitou e riu.

—Ainda de bode por causa do vigia? Por isso não consegue aproveitar? Indaguei.

Passamos pelo guarda escolar e trocamos cumprimentos, depois ela respondeu:

—Ah Luciana... sim, aquele “véio” safado está fazendo falta demais. Celso... é um amor, também faz gostoso como o pai, mas... parece estar com o foco demasiado nos estudos; tudo bem, estudar é importante, ele é muito esforçado, mas... temos de equilibrar as coisas, olha a logística que faço, não é fácil chegar para o Djair e dizer: “vou me encontrar com um amigo, tal hora volto” e vê-lo anuir se sentindo um bosta, então o mínimo que Celso deveria fazer quando eu estivesse com ele... era valorizar isso! Desabafou Raimunda, com semblante triste.

—Oh maninha... que chato, mas e o Marcos? Indaguei, pois ela tinha um lance com ele.

—Só fico com o Marcos quando dá, ele é casado né? Respondeu a coroa.

—Ah sim, esqueci desse detalhe! Comentei, e entramos na sala dos professores.

Felizmente, a formação que estava marcada para hoje foi cancelada. A preletora teve um problema pessoal e não pôde comparecer; melhor assim, porque no primeiro tempo de minhas aulas, passei atividades e trabalhos em grupos, depois fui passear pela escola, pois ficar muito tempo sentada era foda, mesmo anestesiada, o cu latejava e doía um pouco às vezes.

Na hora do intervalo, fui para a cantina e pedi meu suco de abacaxi com hortelã. O celular secundário permaneceu desligado desde bem antes da suruba no apartamento de Ayla, e ficaria assim por um bom tempo, então avistei Raimunda vindo até mim. Tadinha... ela estava carente de atenção mesmo, a bichinha andava cabisbaixa, e por uns instantes...

                Pensei em apresentar Rodrigo a ela. Raimunda era uma mulher bem cuidada, vaidosa demais, linda de rosto e jovial; com 45 anos botava muita novinha de 20 no lixo sim, ela trajava uma blusa florida de mangas médias e babados, e uma calça jeans bem colada, que valorizava suas curvas, e que curvas, que pernas toradas ela tinha. O rabo, grande, cheio e redondo... fora os pezinhos, então Rodrigo provavelmente iria gostar dela, e claro, ela se encantaria sim por ele... e seu dote...

—Ai amiga... quero colo, apesar de você não ter rola, serve mesmo assim! Disse a gaiata, e caí na risada. —Amor... me vê um suco de graviola por favor! Completou a coroa, pedindo.

—Se o Celso não apagou seu fogo... procure o Cássio! Sugeri, e ela me fitou cabreira.

—Aquela tal de Tatiana agora encarnou lá na casa dele! Aquele menino que não fique esperto não viu? Funcionário público aos 20 aninhos, com um futuro imenso e promissor pela frente, se amarrar assim... olha... isso costuma dar merda! Retrucou Raimunda, que bufou.

—Oh Raimunda... dê um desconto, o pobrezinho está tão só, o pai se mandou, provavelmente ele não sabe se virar sozinho com o básico, como fazer comida ou lavar suas roupas, e... pelo que sei, a Tatiana é apaixonada por ele desde a infância, então... não acredito que tenha se achegado a ele por interesse, pode até ser, mas acho difícil! Rebati. Ela replicou:

—Concordo em partes, mas não se esqueça de como o Cássio foi criado; Valdo ensinou seu filho a ser um comedor, e convenhamos... quem tem a chibata deliciosa que aquele menino tem... JAMAIS vai ficar comendo só uma, principalmente porque ele tem uns “esqueminhas” por aí que dão um baile na Tatiana em termos de beleza e gostosura, e é aí que mora o perigo!

—Aqui estão seus sucos, deu tempo trazer os dois juntos! Disse a garçonete, ao chegar.

—Obrigada meu amorzinho! Agradeci, e Raimunda também agradeceu.

—Pensa que não fui bater lá na casa do Cássio depois? Cheguei no maior cio, louca para dar bem gostoso, me acabar naquela pombona, aí dei de cara com o diabo da Tatiana, então tive de fazer um contorcionismo argumentativo para que ela não desconfiasse, e eu saquei que o Cássio ficou puto com ela também! Continuou a coroa, que bebericou seu suco depois, e ri.

—Nossa, você é uma tarada! Comentei, e demos risada. Raimunda assentiu orgulhosa.

O sinal da escola soou, anunciando o fim de nosso intervalo e de nosso papo calcinha, mas não tomamos nossos sucos apressadas, afinal, para que a pressa se falaríamos para as paredes? Só naquele momento notamos a algazarra ao nosso redor, e logo nos estressamos...

—Olha Luciana... sendo bem sincera contigo, estou considerando fortemente tentar o concurso municipal da capital e dar aula na E.I., porque não estou aguentando mais esses marmanjos! A capital paga muito melhor que o Estado! Disse a coroa, que bufou depois.

             —E é menos estressante ficar o dia todo correndo atrás de meninos que não param quietos, vêm para a creche doentes e aguentar abuso de mães? Ê minha querida, não tem vida fácil para professor não, e outra: para ganhar bem, você vai ter que fechar 200 horas mensais e vão te jogar numa área de risco. Vai pensando que é moleza! Retruquei, sendo bem realista.

—Luciana, moleza eu sei que não é, mas discordo um pouco; crianças a gente consegue controlar, se bagunçarem muito, a gente bota moral, nem todas são uns capetinhas, temos assistentes de sala, e... no meu caso, posso trabalhar as mesmas 100 horas que ganharei mais do que as 100 horas estaduais, e... meu amor... aqui também é uma área de risco, a diferença é que os meliantes estão DENTRO das salas; veja por esse prisma! Retrucou Raimunda.

—Pior que é... você tem razão, o Estado paga uma bosta, a capital além de pagar melhor, tem mais benefícios, e realmente crianças são mais maleáveis, mas é uma possibilidade sim a se pensar, e muito bem pensada, porque lidar com esses marmanjos de merda viu! Concordei, desolada.

—A gente faz essa provinha de boa, estou só esperando sair o edital, e olha... não pense muito, nossa saúde mental é mais valiosa do que viver nessa tensão diária de lidar com esses “fuleragens” que estão transformando isso aqui numa boca de fumo! Disse a coroa, e assenti...

Após mais um dia exasperante de trabalho, fui ao mercadinho comprar uns legumes e verduras para repor as vitaminas gastas na orgia. Eu faria uma maionese com cenoura, batata, chuchu e beterraba, acompanhada de alface, couve e rúcula, finalizando com o tradicional arroz com feijão e um peito de frango bem passado. Proteínas para acabar com o cansaço.

Já em casa, enquanto fazia o almoço, pensei bastante no que Raimunda disse sobre prestar o certame da capital e lecionar na E.I. Não que eu detestasse crianças, se fosse isso jamais teria engravidado e tido meu maior tesouro, mas... lidar com os filhos alheios é outra coisa, claro, minha amiga estava certa em dizer que crianças são mais maleáveis, porém...

Sozinha, enquanto me preparava para almoçar, observei minha casa, e foi impossível não fazer um exame de consciência sobre tudo que eu estava vivendo. Eu e o corno dividimos todas as despesas com materiais e mão de obra, fora a mobília, mesmo o terreno tendo sido doado por uma tia minha. Que Deus a tenha em um bom lugar... tia Jussara.

A verdade é que eu e meu marido estávamos curtindo em um parque de diversões, mas usando a mentira como ingresso para entrar, e após ter vivido um final de semana maravilhoso com meu amante, ser livre da mentira virou uma obsessão para mim, mas para ser livre, é preciso investir mais ainda em desenvolvimento pessoal, foi aí que tive um estalo...

Ao invés de dar aula para E.I., por que não tentar uma pós e depois dar aula em Universidade Pública? Ok, lá também existem alguns alunos merdas como no E.M., mas em um número até razoavelmente menor, porque “pirangueiro” de E.M. tem alergia a faculdade. Enquanto saboreava meu delicioso almoço, comecei a desenvolver mais essa ideia... e sorri empolgada.

No próximo domingo era o Dia das Mães. Tradicionalmente, eu e o corno viajamos para onde meus pais moram, curtimos nossa filha, meus pais, depois a levamos pra visitar os meus sogros, e fazíamos isso com muita empolgação... e paixão. Como seria esse ano? 90 minutos confinada em um carro, ao lado de um homem o qual você só sabe sentir repulsa. Oh Deus...

Após o almoço, capotei no sofá, e percebi que o mesmo carecia de ser substituído. Era confortável, mas já estava velho, um pouco encardido, com o assento do meio levemente afundado sem ninguém sentado, mas ainda rendia uma deliciosa sesta... e deliciosas trepadas, mesmo sendo estreito. O cansaço ainda me castigava... desliguei meu celular principal e o secundário desligado e bem escondido, e logo adormeci, sem pensar em nada, por enquanto...

Acordei às 17h e pouco. Liguei o celular e haviam duas chamadas da minha filhota. Retornei imediatamente, expliquei que estava dormindo e ela queria saber se iríamos passar o dia das mães com ela. Óbvio que sim, por ela valia o sacrifício de seguir me fazendo de abestada.

18h15. Esse foi o horário em que o corno chegou de sua “viagem profissional”. Eu estava deitada no sofá assistindo um desenho japonês o qual não sei o nome, e acabei me interessando em assistir mais por nostalgia, por me lembrar de minha adolescência, onde, com meus irmãos, um do meio e um mais novo, assistíamos Cavaleiros do Zodíaco na finada Manchete. Eu adorava aquele desenho...

—Oi amor, tudo bem? Cumprimentou o corno, ao adentrar a sala, com sua mochila.

—Tudo querido, como foi o trabalho? Respondi e indaguei, meio fria.

—Tudo certo, fechei com três clientes! Respondeu, alegre e indo até a cozinha.

—Nossa filha ligou perguntando se vamos para lá domingo! Comentei, vendo a tv.

—Vamos sim, claro, é Dia das Mães! Respondeu, com certo entusiasmo. Ele adentrou nosso quarto, mas antes deixou seu celular sobre a mesa, e fitei o objeto já planejando...

—Vou tomar um banho pra me sentar contigo e te dar um cheiro! Disse o galhudo, e como eu precisava estar em paz até domingo... acabei sorrindo e dando um selinho nele. Aff...

Ele adentrou o lavabo, trancou a porta e meus olhos acenderam ao virem seu celular dando sopa na mesa. Claro, a tela protegida por senha lhe dava essa segurança, então esperei, ouvi sua roupa sendo tirada e a tampa do vaso levantar e ele mijar, esperei mais um pouco, segurei meu telefone, já pronta para colher mais provas, e finalmente, após uns cinco minutos, o chuveiro foi ligado, corri para onde estava o telefone dele e sorri ao saber que o miserável não havia mudado sua senha de desbloqueio. Vasculhei até o WhatsApp e...

Esquema. Esse era o codinome da quenga de meu marido salvo em seus contatos.

Abri a conversa, e a última mensagem... era um comprovante de depósito no valor de R$ 1.000,00, seguido do recado: “taí amor, já depositei”. Ofeguei, peguei meu celular e bati a foto, bem batida. Subi as mensagens e vi a foto de um garotinho. Mateuzinho... junto com a triste confirmação: era filho dele, a mensagem “olha como tô lindo papai”, foi o atestado de que aquele caso era antigo, pois o garoto aparentava ter quase ou dois anos, era bem novinho, e era a CARA dele. Com a mão trêmula, registrei, lutando contra as lágrimas, sem acreditar no que vi.

Quase não tive estrutura psicológica para continuar vendo as conversas, pois a foto do garotinho me deixou completamente desestabilizada. Um filho... com outra mulher, uma família, com outra mulher, minha filha... tinha um irmãozinho, um inocente posto no mundo, mas que mesmo sendo fruto de um adultério... não teria meu rancor. Respirei fundo, olhei a foto que bati em meu celular, e a vi muito tremida, então tirei outra, e essa saiu melhor.

Não contive a curiosidade, rolei mais as conversas, e vi uma foto da quenga, finalmente. Olha... ela não era feia, nem de rosto e nem de corpo, até porque... meu marido é um homem bonito, charmoso e muito atraente sim, mesmo tendo uma rola ridícula, e por muitas vezes, ao lado dele, notava algumas sirigaitas flertando, porque ele tinha, ou melhor, ainda tem charme.

Ela era mais jovem, cabelos pretos longos e lisos, olhos grandes, nariz largo, lábios carnudos e boca média. Seios médios e firmes, quadril médio e pernas grossas. Ela tinha uma barriga meio negativa, um pouco menor que a minha, consequência da maternidade, mas em nenhum momento me senti diminuída, pelo contrário, eu estava feliz por estar bem melhor aos 37 anos, mas depois senti o gosto amargo daquela descoberta... então bati a foto...

O chuveiro cessou, e rapidamente saí do WhatsApp, limpei a tela do aparelho e o deixei como estava, depois fui para a cozinha, com a face tremendo, lutando para não chorar de ódio, até que não aguentei... e apoiada na pia, chorei, chorei baixinho, e tive vontade de sair correndo de volta para a casa de Rodrigo, desabafar tudo e receber o alento que só ele me daria...

O que me asserenou razoavelmente, foi ter as evidências em mãos, e saber que conseguiria mais provas ainda, entretanto, meu sangue tinha de esfriar, eu tinha de me fazer de burra, de morta, para poder enrabar o coveiro com gosto de gás depois, mas não estava sendo fácil, o ódio que eu sentia fazia um calor indescritível tomar meu corpo, meu rosto então, parecia que estava recebendo uma descarga de vapor, suava, os olhos ardiam e eu ofegava.

—Já vai fazer a janta querida? Indagou o desgraçado, e parei de chorar, depois suspirei.

—S-Sim... mas vou fazer só para você! Respondi, e a prova de fogo veio quando senti o desgraçado me abraçando por trás. Havia uma faca a milímetros de mim, e contei até 10...

—Puxa amor, pensei que a gente ia jantar juntos, tava pensando nisso! Replicou o corno maldito, me dando beijos no cangote, e eu lutava para não perder a cabeça de vez.

—Eu... estou sem fome meu querido, lanchei antes de você chegar e daqui a pouco já vou dormir; hoje o dia não foi fácil! Repliquei, me desvencilhando dele e indo até a geladeira.

—É... tu tá mesmo com uma carinha de cansada! Comentou o corno, e fiquei calada...

O galhudo foi para o sofá assistir TV, eu, fazia a janta, e agi assim porque queria visitar minha filha e lá espairecer, mas ainda não contaria nada a ela, eu queria uma prova mais cabal ainda... queria... flagrar os dois, registrar e aí sim... acabar com ele no tribunal, só me restaria torcer para uma sorte imensa, que a puta dele não morasse no interior, mas caso morasse, o que coletei hoje já me dava esperanças no processo, isso se Miguel me representasse...

Após servir o jantar, fui para o quarto alegando enxaqueca. O corno fez mais uma horinha vendo baboseiras na TV e depois veio se deitar, aí esperei que ele dormisse profundamente, a ponto de roncar, então levantei sorrateira e até pensei em pegar o celular dele de novo e vasculhar mais coisas, mas não... o que eu tinha já era suficiente. Com passos trôpegos, trêmula e nervosa, fui para o quarto de minha filha, minha bambina tão amada e inocente, me joguei em sua cama, e lá chorei...

No quarto de minha princesa, olhei ao redor. Toda a decoração lembrava ela. Os ursinhos, algumas bonecas que demos de presente em seus primeiros aniversários, as poucas roupinhas que guardei, alguns perfumes e colônias, os calçados, a cama com lençóis e colchas delicadas e femininas. Guardei o que pude para me lembrar das fases de sua vida até o momento, mas também... todas aquelas memórias significavam o amor incondicional que eu tinha por aquela que saiu de mim, fruto do amor e paixão... entre um casal, fruto da confiança... entre um casal, e aquelas memórias... também significavam o amor e gratidão que eu...  tive pelo meu marido...

Amei aquele homem sim, o admirei sim, porque a admiração pelo seu companheiro(a) é fundamental para que a relação se sustente; a admiração nos inspira, nos deixa seguros e mantém a chama da paixão e a luz do amor sempre acesa, e agora... conferindo as novas evidências que colhi, eu só conseguia me perguntar... por que? Minha filha tinha tanto apego ao pai quando era mais novinha, e ainda tem... eu até sentia aquele ciúme gostoso, mas no fundo me derretia ainda mais apaixonada por ele, porque éramos uma família feliz... 

Chorei muito, mas não por amar aquele traste, e sim porque perdoei sua traição no passado e meu perdão não valeu nada. A primeira vez, perdoei porque o amava, mas também porque não queria que minha filha crescesse sem a presença de um pai, e foi aí que errei. Como ela reagiria ao saber tudo?

O DIA SEGUINTE.

Apesar da péssima noite, resolvi ir trabalhar. Ficar em casa seria muito pior e eu precisava manter o equilíbrio, a liberdade estava mais perto, mas essa liberdade era um animal arredio, que poderia sair correndo se eu tentasse agarrá-lo com afobação. Eu estava na padaria, mexendo a colherinha em meu café, sem muita vontade de toma-lo, então de repente...

—Bom dia minha consagrada! Disse a voz de Rodrigo, e olhei para ele, tristonha.

—Apesar da terrível noite... bom dia! Respondi, e o meu amante arregalou os olhos.

—O que houve minha adorada? Seu rosto está inchado! Indagou e comentou Rodrigo.

Mal pude responder, comecei a chorar e ele sentou-se, depois segurou minhas mãos.

—D-Desculpe... mas... não estou conseguindo... falar! Confessei, e as lágrimas escorriam.

—Tudo bem minha consagrada... chore... desabafe, se não quiser me dizer a razão desse pranto... não diga, mas saiba que eu estou aqui... e sempre estarei para aliviar sua dor, e tentar lhe mostrar o quão feliz você pode e merece ser! Replicou Rodrigo, que apertou minhas mãos.

O toque dele... incrível, aquilo me arrepiou toda, então criei coragem...

—M-Meu marido... tem outra família... tem um filho com a amante! Despejei.

—Como você descobriu isso? Indagou o pastor, com uma voz sinceramente piedosa e aquilo começou a me asserenar. Ali era o Rodrigo ser humano, e não meu comedor.

—Mexi no celular dele ontem e descobri! Contei, já parando de chorar. Eu só precisava daquele gesto, daquele toque tão carinhoso e cheio de empatia de meu amante, e ele me deu...

—Ok, então sua liberdade está mais perto, você consegue sentir o peso da infidelidade, mas também... a força que tem para se livrar dele! Disse o pastor, e o fitei com olhar perdido.

—Vou... jogar tudo isso na cara dele e... expulsá-lo de casa, não vou aguentar conviver muito tempo com essa descoberta e fingir que nada aconteceu! Desabafei, em seguida abaixei a cabeça.

—Você quer um desgaste ainda maior do que esse? Claro, é até absurdo sugerir atitudes cautelosas diante disso, mas... a serenidade e autocontrole nos dão um poder e uma vantagem maior, em termos psicológicos... e principalmente... jurídicos! Retrucou Rodrigo, e o fitei surpresa.

—Está sugerindo que eu... me faça de sonsa? Até pensei nisso sim, pensei em... dar um jeito de flagrar os dois, mas... por que protelar isso se tudo está evidente? Desculpe a pergunta, mas... como sua esposa reagiu quando... descobriu tudo? Retruquei, e chorei mais. Rodrigo me fitou sério, abaixou a cabeça e deu um longo suspiro. —D-Desculpe, não devia ter perguntado isso! Completei.

—Tudo bem... eu... respondo! Minha esposa reagiu com uma... calma surpreendente, claro, indignou-se, mas foi uma indignação... sem alarde. Eu me preparei para receber uma justa cobrança, um justo julgamento e sabia o que fazer, como homem, e como alguém que conhece as leis de Deus sobre o valor do casamento, mas optou por viver anos infringindo essas leis, porém... ela não levantou a voz, não quebrou nada e não teve baixaria. eu assumi tudo, sem aquele bate e volta de responsabilidades que todo desonesto usa para justificar o injustificável; eu confessei e decidi me divorciar, só que... ela não aceitou, mas isso não serve muito de parâmetro para a sua situação! Desabafou Rodrigo, e pasmei.

Então... você... acha que por enquanto devo... me manter serena diante disso? Indaguei.

—Você falou em flagrá-los, é uma ideia boa, surpreendê-lo vai desmoralizá-lo ainda mais do que simplesmente... jogar na cara dele o que sabe, quando isso foi feito através de uma invasão de privacidade, pois por mais que entre um casal deva haver sim transparência em tudo, mexer sorrateiramente no celular do cônjuge... não é algo muito aprazível. Se você não quer o dedo dele na sua cara a acusando disso... tente armar o flagrante, e proceda juridicamente depois! Esse é o conselho que Miguel dá nos casos de adultério em que atua. O barraco só te expõe mais, te deixa com a imagem sim manchada, por mais que seja a vítima na história, mas claro, isso é um conselho! Disse Rodrigo.

—Mas isso não é legítimo quando há desconfiança? Retruquei, e o pastor sorriu.

—Você acha? Então inverta as situações, Luciana. Se ele suspeitasse de que está sendo traído e fizesse o que você fez, sua reação não seria muito civilizada! Rebateu Rodrigo, e o fitei impactada.

—Sim, você... tem razão, mas... não tenho um advogado! Repliquei, e Rodrigo sorriu maroto.

—Eu vou falar com o Miguel, e ele vai procura-la, só não sei quando, pois meu amigo anda muito ocupado, mas esteja ciente... de que ele vai lhe auxiliar no que for preciso; isso... é tudo o que posso fazer para ajudar, além de reforçar meu desejo para que você mantenha sua cabeça firme e serena... por mais difícil que isso seja, e eu sei como é! Revelou Rodrigo, e meus olhos brilharam.

—Isso é mais que o suficiente... obrigada meu amor, obrigada! Você... é o meu porto seguro, e isso me conforta! Retruquei, o fitando ainda mais apaixonada, e ele sorriu discretamente.

—Quero vê-la feliz e livre, vivendo sua vida como bem entender, mas com a consciência limpa, mesmo também estando errada! Replicou o macho, e me arrepiei toda, por pouco não tasquei um beijo em sua boca, apenas... dei meu sorriso, o sorriso que ele valorizava tanto, que o encantava tanto.

—Eu sei que estou errada, e quero dar um fim nisso o quanto antes, e... sabendo que tenho você ao meu lado... me ouvindo e me apoiando, eu fico mais forte! Falei, e sorri de novo...

—Obrigado, mas... a razão de sua força, tem que ser aquilo que você mais ama... você, e a sua filha, e é por ela que você tem de ser forte e livre também! Retrucou Rodrigo, e me arrepiei de novo.

—Sim, claro... é por ela, é pelo amor que sinto por ela que me encho de força, mas... não posso deixar de me fortalecer também... sabendo que você me apoia, que você me ouve e acalenta minha angústia, então vocês são importantes! Rebati, e o pastor apertou suavemente minha mão...

O resto da semana foi uma batalha mental cruel. Ter que dissimular com o corno foi uma tarefa difícil, mas necessária. Domingo viajamos para visitar nossa filha, e no percurso reforcei meu amor e promessa de jamais deixa-la sozinha. O dia seria corrido, visitaríamos os pais do corno junto com ela, e notei por diversas vezes ele meio apreensivo, dando pequenos sumiços e quase ninguém notou, mas eu... notei sim, e ele seguia mais distante de minha filha, o que me deixava com ódio... 

CONTINUA

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Olá queridos alunos. Como anunciei no post passado, hoje tem início um dos momentos mais tensos e doloridos de minha vida, mas claro, os textos seguintes terão o sexo que sempre usei como válvula de escape e safadeza, mas também um jogo psicológico atroz. A coisa agora assume níveis diferentes, e o que virá após isso, é a escalada quase sem freios que marcou minha redescoberta sexual. 

Leiam com atenção e carinho, as camadas desses desdobramentos prometem impactar quem não se prender somente ao sexo e fotos em si, e hoje, penso que não conseguiria expor isso nos sites de contos, onde a grande maioria dos leitores quer uma leitura puramente pornográfica, sendo assim, sintam-se privilegiados por saberem de um momento de minha vida, o qual eu poderia sim suprimir e dar um jeitinho de costurar a narrativa nos relatos seguintes.

 Mas não... foi minha honestidade literária e demonstrações sinceras de que sou uma pessoa comum antes de ser a "Professorinha Fogosa", que conquistou vocês ao longo do  tempo, então deixo aqui esse momento que registrei, com aperto no peito, não muito por causa do meu marido, mas pelas consequências que isso trouxe a mim e minha filha. Acredito que isso vai aflorar opiniões e questionamentos, pois minhas atitudes são bem incomuns nessa história, então... fiquem à vontade.

Bem, a postagem de hoje atrasou porque passei boa parte do dia sem Internet, coisa que me tira do sério. Eu iria postar às 11h30, contudo, a Internet só voltou agora à noite, mas o que importa, é que cumpri meu compromisso, sendo assim, me perdoem pelo atraso. 

Gostaria de agradecer aos leitores que comentaram na postagem anterior, isso é MUITO importante, e mesmo eu não respondendo às vezes, leio todos os comentários e fico muito feliz, esse é o claro sinal de que devo seguir adiante e também prova que somos uma comunidade unida. 

Beijos, tenham uma semana vitoriosa, cheia de paz, vida e muito trabalho.

Comentários

  1. Ansioso pela continuação(foto de sexo no próximo conto porfavooorrrr).

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  2. Chumbo trocado!! Situação delicada e complexa, mas isso acho que aumentou seu desejo de se entregar ao prazer e conhecer seus limites! Esperando a continuação!

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  3. Eita professora....que sinuca de bico!! As descobertas e os segredos revelados são bombásticos....e você ter conseguido sobreviver a isso uma façanha.
    Um beijo na sua raba linda...seu aluno Beto!

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  4. Conto novo hoje! Quarta-feira de lei

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  5. Oba. Cada conta é melhor que outro professora mais que linda.

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