104 - A DESPEDIDA - EPÍLOGO (S.S)


 

Que resto de sábado e domingo horríveis.

Ter que segurar a tristeza e as lágrimas para que o corno não percebesse que o motivo de ambas era a ausência de Ariovaldo foi difícil. Vez ou outra eu me flagrava com os olhos marejados, a face tremendo e aquecendo, e tinha de ligar para minha filha afim de acalmar, mas uma hora, já tarde da noite, no quarto dela enquanto o corno dormia no meu, o choro veio e arrebentou meu âmago, porque o vigia foi mais que um amante... foi um verdadeiro amigo, uma pessoa rara, um ser humano especial.

Na segunda de manhã, lá estava eu, na padaria, trajando uma camiseta personalizada da escola e uma calça jeans, sentada à mesa e mexendo com a colherinha de plástico meu café com leite, pronta para seguir em frente, com essa baixa sexual tão impactante, mas feliz ao mesmo tempo por ter Cássio. Cássio... aquele macho com uma pegada e experiência sexual absurda e digna de elogios infindáveis... arregou para uma mulher... inacreditável.

—Bom dia minha consagrada! Disse a voz dele... Rodrigo. Olhei para cima e ele já bebericava meu café com leite, depois o devolveu e deu uma rápida piscada para mim.

—Devo cumprimentar um homem que esqueceu da minha existência e me desprezou? Retruquei, sentida e o encarando com um olhar penoso, mas claro, aquilo era charminho meu.

—Eu jamais faria uma coisa dessas minha adorada, jamais esqueceria uma mulher tão especial como você, e principalmente a desprezaria! Eu senti muito a sua falta, senti falta do seu lindo sorriso e de seu jeito tão especial de ser! Disse Rodrigo, se sentando. Cafajeste do caralho, olha como a raposa chegava pelas beiradas... segurei o riso.

—Mentira... eu... perdi a graça para você! Repliquei, abaixando a cabeça.

—Ei... você poderia me ouvir? Por favor! Rebateu e pediu o macho, que tocou minha mão esquerda e a acariciou. Sua voz tão serena e carinha sapeca trincou meu escudo...

—Ok... fale! Respondi, louca para sorrir, mas mantive minha cara de “brava”.

—Sorria que eu falo! Replicou o comedor, e fui traída por mim mesma, pelo sentimento que tinha por aquele macho... e não deu outra... o sorriso escapou. —Ah... agora sim, agora meu medo passou, agora posso falar enquanto vejo seu lindo rosto sorrir! Completou.

—Seu bobo! Falei, enrubescida e o fitando, tentando não sorrir, mas sorri de novo.

—Em uma relação como a nossa... não há espaço e nem necessidade de mentirmos um para o outro, você sabe. Eu tenho mais quatro amantes e uma rotina profissional e social atribulada, isso você também já sabe, então nesse período, dei atenção e esses setores, além do mais... teve a partida de meu grande amigo Ariovaldo ontem! Explicou o pastor, desolado.

—É... ele comentou comigo antes de nos despedirmos! Falei, e meus olhos marejaram.

—Valdo é um amigo valoroso para mim... e para o Miguel também! Fizemos questão de escolta-lo até sua cidade natal, porque temos uma amizade muito sólida! Disse o macho.

—E-Eu... vi o quão amigos vocês são naquele dia... na casa da Suzy! Comentei, mexida.

—Foi uma despedida emocionante, e... mesmo ele podendo nos visitar e vice-versa, vou sentir falta das passadas rápidas que dava naquela escola para cumprimenta-lo! Replicou o pastor, e vi seus olhos marejarem, ouvi seu longo suspiro, e diante daquela sensibilidade tão linda... segurei sua mão, nos encaramos... e eu sorri com toda a minha paixão para ele...

—E o Cássio? Você é “padrinho” dele né? Indaguei, abordando esse detalhe.

—É... digamos que sou seu padrinho no grupo, e ao conhecer seu pai em meu primeiro evento pelo mesmo... uma amizade nasceu, uma relação de confiança cresceu... e... quando Cássio começou sua vida adulta, teve dificuldades em se relacionar com as garotas, então... acabei dando uma forcinha para ele, aí... o garoto deslanchou! Explicou Rodrigo, sereno.

—E o Valdo é padrinho social de algum de seus filhos? Indaguei, alisando sua mão.

—Sim, Valdo é padrinho do meu mais novo, a madrinha é uma amiga de minha falecida esposa. Valdo adora meu filho, sempre trazia presentes quando vinha nos visitar; roupas, brinquedos... ele disse que não tinha muito contato com os netos, e o menino adorava ele, abria um sorrisão junto com os braços pedindo o colo dele! Relatou Rodrigo, com comoção no olhar.

—Nossa...que lindo, a amizade de vocês é muito emocionante, Valdo é uma pessoa iluminada de bondade! Comentei, e ao me lembrar do meu primeiro dia naquela escola, onde fui recebida de forma tão amável e sincera por ele... não pude frear as lágrimas de saudade.

—Vai ser difícil se acostumar com a ausência dele né? Eu entendo o que você está sentindo porque... realmente o Ariovaldo é um homem íntegro, digo isso porque sei o quanto ele foi meu parceiro, não só de... sacanagens, mas... principalmente fora desse mundo íntimo... muitas vezes vazio, todavia, tenho certeza de que ele fez a escolha certa! Disse o pastor, e sorri.

Rodrigo sabia que eu e Valdo éramos amantes, mas seu caráter tão excepcional, seu respeito tão grandioso por mim, fez com que a menção disso fosse desnecessária, e ele poderia ter citado esse detalhe, que não soaria ofensivo, mas não... ele preservou a vida íntima do amigo e a minha, mostrando uma hombridade que só me fazia admirá-lo ainda mais.

—Nossa... você acha vazia a vida sexual que leva? Sério? Indaguei, meio... ofendida.

—Pelo seu olhar... parece que soou mal, me perdoe, mas eu disse “muitas vezes vazio”, não generalizei, e... eu me referi a mim e Ariovaldo. Nossa experiência e conquistas nesse mundo sexual restrito a poucos, trouxe e ainda traz sim prazeres únicos, mas também frustrações únicas; eu nunca me vangloriei de ser infiel, mas... continuei porque eu e minha mulher vivíamos como dois irmãos por muito tempo, e isso fazia eu me sentir vazio! Respondeu Rodrigo.

—Eu... entendi errado mesmo, desculpe! Repliquei, toda sem jeito.

—Ei, não precisa ficar assim. É complicado entender as nuances da vida sexual que você escolheu, que eu e Valdo vivemos por tantos anos e... todos os pormenores que a envolvem, tudo está recente demais e lidar com essas coisas pode... trazer sim um pouco de vazio, pois é uma mudança abrupta de postura e... até de comportamento! Explicou o pastor, sábio.

—É... realmente, você tem razão, fico imaginando que tipo de coisa ainda vai acontecer nessa jornada excêntrica do prazer a qual me dispus a trilhar! Comentei, rindo meio tensa.

—Só digo uma coisa: é imprevisível, mas não obrigatório de se aceitar, contudo... algumas práticas... serão aventadas, isso é inevitável! Disse Rodrigo, e dei risada.

—É isso que me assusta um pouco! Retruquei, e rimos. O pastor aconselhou depois:

—Não fique pensando nisso, senão você não aproveita o que quer aproveitar!

—É... tem razão! Falei, e sorrimos. Ai que tesão de macho da porra, que sorriso lindo o dele. Eu não prestava mesmo, me derretia toda por um cafajeste, um safado no final das contas.

—Só Cássio me preocupa um pouco! Comentou Rodrigo, que deu um longo suspiro.

—E como ele ficou? Estou um pouco preocupada com ele! Falei e indaguei.

—Cássio reagiu bem... claro, vai sentir bastante a falta do pai, porque a relação deles era fortíssima, e o Valdo tentou trazê-lo, mas... ele não quis ir, e compreendi os motivos do garoto... aquele jovem quer caminhar com suas pernas, quer administrar sua vida sozinho, mostrar que sabe cuidar do que o pai construiu com tanto sacrifício e deixou para ele e os irmãos; é um rapaz responsável! Respondeu e desabafou Rodrigo, de fato orgulhoso.

Tive vontade de perguntar a Rodrigo sobre... a arregada de Cássio com uma de suas fixas, mas senti receio, medo de expor Valdo e acabar desagradando o pastor. Entendi que seria fazer fuxico abordar um assunto assim, então roguei para que o comedor me contasse...

—E o Cássio ficou sozinho naquela casa grande? Perguntei, comendo pelas beiradas.

—Por pouco tempo, a namorada já está se ajeitando para morar com ele! Respondeu.

—Eita... é sério? Indaguei, pasma. Rodrigo sorriu e contou:

—Sim, e isso está deixando Cássio bem irritado, porque as brincadeirinhas que ele anda fazendo agora que está sozinho... estão com os dias contados! Ele está bem puto!

—Ah, mas o Cássio não é obrigado a aceitar isso, ele é um homem feito e maduro, não tem porque se irritar, é só se impor! Retruquei, mas Rodrigo deu risada e rebateu:

—Não é bem por aí... a moça é louca por ele, e é uma menina adorável, decente, estudiosa e muito culta, além de cuidar muito bem dele; e isso é triste porque... Cássio está seguindo os passos do pai, sendo infiel, enganando e tanto eu, quando o próprio Valdo não aprovamos isso, não é justo pagar com mentira alguém dá tanto amor e carinho de graça!

—Meu Deus... tadinha, mas... o nome dessa moça é... Tatiana né? Comentei e indaguei.

—Isso mesmo, mas enfim... o que posso fazer é o que sempre faço: aconselhar que ele pare de trair, porque quando ela descobrir... será muito desagradável! Disse o pastor.

—É... essa é uma decisão difícil né? O cara já está com toda essa doideira sexual que você e o pai dele viviam entranhada em seu ser, e eu acredito que... todo homem que nasceu... afortunado entre as pernas... não quer ser de uma mulher só! Opinei, e Rodrigo deu risada.

—Não posso nem contra-argumentar, porque na maioria dos casos é isso mesmo, mas tudo na vida precisa de início e fim, porque a velhice é a trombeta que anuncia a colheita do que plantamos na juventude, e espero que Cássio se dê conta de que mulheres responsáveis, fiéis e parceiras... estão em extinção ou até pararam de ser fabricadas! Rebateu Rodrigo, desolado.

—Eu tiro pelas minhas alunas... de 20, duas querem ser alguém na vida, mas... o Cássio anda aprontando tanto assim, agora que está só em casa? Comentei e indaguei, jogando a verde.

—Até um tempo atrás, ele estava BEM ativo, mas... o rapaz acabou tropeçando em um encontro e... está com o orgulho... ferido digamos assim, e isso é normal na vida de um homem, acontece às vezes, aconteceu comigo, mas enfim! Ensejou Rodrigo, e pasmei... de alegria.

—Sério? Tropeçou como? Questionei, com olhos ávidos de curiosidade, mas...

—É impressão minha ou... o sinal do colégio acabou de soar? Indagou Rodrigo, com ouvidos atentos ao ruído, o qual percebi e me enchi de fúria. Puta merda, eu estava atrasada...

—Não, não é impressão sua, é o sinal da escola, estou atrasada! Confirmei, desolada.

—Puxa vida, me desculpe, olha o que eu fiz, falei demais, até tinha outro assunto para falar também e... ah, me perdoe, deixe para outro dia! Disse o macho, e eu...

—Não, imagina, funcionários públicos são semideuses, não dá nada, eu juro, então... que outro assunto seria? Diga, agora fiquei muito curiosa! Repliquei e aticei, e ele deu risada.

—É muito constrangedor um adulto ser repreendido por causa de atraso, mas... tudo bem, você não vai conseguir segurar a curiosidade e ansiedade não é? Comentou e indagou.

—Pois é, sou curiosa e ansiosa mesmo, então desembucha! Retruquei, e ele riu.

—Em breve você vai conhecer Stella e Vitória! Revelou Rodrigo, sem firula. Estarreci...

—É sério? E quando vai ser? Quando? Indaguei, radiante e muito mais ansiosa.

—O dia exato eu não sei, porque ambas têm o tempo espremido, mas esteja ciente de que não vai demorar! Replicou o safado, e desconfiei que as conheceria... em uma suruba.

—E nós? Estou com saudade! Indaguei e disse, segurando sua mão.

—Por mim seria hoje, mas... estou muito atarefado e cansado! Respondeu Rodrigo.

—É... eu também estou bem cansada! Comentei, e realmente estava. O pastor safado lançou um olhar me deixou meio constrangida. Putz... ele sabia que trepei com Valdo... sabia...

—Então vamos né? O dever nos chama! Convocou Rodrigo, e claro, fiquei cabreira.

—É o jeito né? Arrematei, e partimos. Eu, com passos mais apressados.

Já fora da padaria, Rodrigo parou de caminhar e percebi isso. Parei também. Notei ele absorto, depois deu um longo suspiro, me fitou e fez a seguinte declaração:

—Sabe Luciana, eu não gosto muito de comentar sobre... as mulheres com quem meus amigos se envolvem, mas... me surpreendi ao saber que sua colega de trabalho era fixa do Valdo, e é fixa de um dos filhos dele! Ele estava falando de Raimunda, claro, e o fitei admirada.

—Ah, a Raimunda. Ela... ficou muito triste com a partida de Valdo! Comentei e fiquei surpresa ao saber que o pastor não sabia. –É... como você soube disso? Completei, indagando.

—Um pouco antes de Valdo partir e eu, Cássio e Miguel irmos com ele, ela estava lá; presumo que passaram a noite juntos. Claro, a moça... ficou surpresa e meio constrangida quando nos viu na casa dele, mas ao notar que não demos bola para isso, relaxou! Comentou o pastor. Estarreci.

Meu Deus... Raimunda, uma mulher casada... passou a noite fora de casa com outro homem. Pensei em Djair e tive muita dó dele, mas será que ela costumava fazer isso? Não sabia.

—A bichinha... deve estar sofrendo muito, além de se sentir carente! Comentei, mas por mais penalizada que estivesse, ao fitar Rodrigo, só conseguia imaginar Raimunda berrando de prazer e dor, subjugada por aquele homem e seu dote delicioso. Ah... eu ia fazer a ponte SIM...

—É isso, só comentei porque... vocês são amigas! Disse Rodrigo, meio acanhado.

—Quer... conhece-la melhor? Curar... a carência dela? Aticei, e Rodrigo me fitou pasmo.

—Como é? Indagou o macho, meio incrédulo e rindo desconcertado. Dei risada.

—Ué? Raimunda perguntou de você, demonstrou interesse sim! Provoquei. Ele sorriu.

—Foi mesmo? É... não foi a primeira vez que nos vimos! Indagou e comentou Rodrigo.

—Eu sei que ela está numa fossa danada agora, mas... o que acha? Aticei, de novo.

—Olha... ainda é cedo para possibilidades, deixe o tempo passar, aí caso... ela esteja resolvida, quem sabe? Disse Rodrigo, com um sorriso maroto. Dei risada. Ele riu acanhado.

—Queria te perguntar uma coisa que me deixou muito curiosa! Ensejei.

—Pergunte, vamos ver se consigo sanar sua curiosidade! Disse o pastor, e demos risada.

—Com quem foi que Cássio... tropeçou? Indaguei, indo direto ao ponto. O pastor riu.

—Na hora certa você vai saber, agora precisamos cuidar na vida, você está se atrasando ainda mais e eu... estou começando a me atrasar! Disse Rodrigo, desconversando. Aff...

—Aff, seu malvado, mas tudo bem, você vai me contar um dia! Rebati, e ele sorriu, depois nos despedimos formalmente e cada um tomou seu rumo, eu, claro, corri feito doida...

Quando cheguei à escola, senti o impacto de não ver Ariovaldo, e sim outro guarda escolar, o qual também foi simpático quando me viu, além de totalmente respeitoso e discreto. Era um senhor um pouco mais novo que meu querido amigo, mas feiosinho e de uma empresa terceirizada. A outra surpresa, (não tão surpresa assim), foi a ausência de Raimunda. Claro, ela estava curtindo sua fossa, e não pude deixar de continuar pasma em saber que ela passou a noite de sábado na casa do vigia.

Deus do céu, a orgia no Laboratório de Ciências foi braba, eu sentia meu cu latejando, o picão de Valdo fez um estrago, e Raimunda ainda teve gás para esticar noite adentro? 

O expediente foi exasperante, e agradeci aos céus quando o mesmo terminou e pude ir para minha casa relaxar o resto da tarde. Por um instante pensei em aceitar um dos convites do grupo para sexo, afim de tirar o estresse, mas meu corpo ainda precisava se recuperar daquela suruba louca, deliciosa e épica no Laboratório de Ciências, além do psicológico também, contudo, a dó que senti de Cássio, meu amante novinho tão querido, me fez mudar de ideia...

O estrago que o pai dele fez em meus buracos não foi brincadeira, mas o estrago na autoestima daquele macho que também me deu momentos tão gostosos era maior; eu precisava fazer com que ele se sentisse confiante de novo, e entendesse que nem sempre somos perfeitos, potentes e damos conta de tudo. Quem sabe me ouvindo ele pudesse compreender...

Liguei para Cássio, e após três toques ele atendeu, e me surpreendi com sua voz empolgada e cheia de simpatia para comigo. Achei que ouviria uma entonação vocal triste. Lamento Tatiana e Rodrigo, mas eu precisava saber o que tinha acontecido com Cássio...

—Oi querida Lulu, que saudade de você! Disse o macho, razoavelmente empolgado.

—Dê uma escapadinha e venha em minha casa... já! Intimei, e ele riu do outro lado.

—Putz Lulu... eu adoraria, mas tô cheio de serviço aqui! Disse Cássio. Botando banca?

—Você é um servidor público... e não vai pegar nada se der uma fugidinha. Anda... vem aqui, estou com saudade de você meu gostoso, saudade dessa sua pirocona tesuda e que me deu tanto prazer! Retruquei, enaltecendo sincera aquele comedor tão especial.

—Só se for... na hora do almoço, e é rápido! Pode ser? Condicionou o macho.

—Só venha meu amor... não tem problema! Vou deixar o portão destrancado e a porta aberta, estarei deitada no sofá, aí você chega... tranca tudo e me pega bem gostoso! Falei, eriçada, mas temerosa, porque eu ainda estava em recuperação.

—Lulu... você vai aguentar? Indagou Cássio, sussurrando, e pasmei. Ele sabia, sabia que eu tinha feito uma suruba com seu pai e Raimunda. Ai ai, agora fiquei “falada”, rsrsrs...

—Ah... a gente... dá um jeitinho, só estou com saudade de você! Respondi, destreinada.

—Beleza então... me espere que daqui a pouco passo aí! Disse o comedor, porém notei tão pouco entusiasmo em sua voz, que cogitei desistir, mas resolvi pagar para ver...

Não almocei, apenas tomei um banho bem gostoso e me deitei nua no sofá, mas me cobri com um lençol fino. O dia estava ameno, com possibilidade de chuva durante a tarde, todavia, o céu estava limpo e com pouquíssimas nuvens. Deixei a porta entreaberta, pois quem passava pela rua, via mais ou menos a sala de minha casa, e como eu estava quase pelada, quis evitar olhares mais prolongados para dentro do meu lar. Senti um frio na barriga, pois Cássio poderia apresentar uma certa imprevisibilidade em sua conduta sexual comigo...

12h10, ouvi o carro de Cássio chegando, o freio de mão sendo puxado, a porta abrindo e ele saindo, o alarme travando o veículo e o portão de minha casa sendo aberto. Ele entrou e o trancou com o cadeado em seguida, então veio, abriu a porta, e vi o quão lindinho ele estava, trajando uma camisa gola polo preta com detalhes cinzas e uma calça jeans preta meio justa. Vi a desmotivação estampada em seu rosto, mas ele conseguiu sorrir quando me viu ali, no sofá. Tirei o lençol e mostrei meu corpo nu àquele macho tão gostoso e especial para mim.

Cássio sorriu e veio, em seguida sentou-se à beira do sofá e começou a alisar meu corpo inteiro, e percebi pela primeira vez... um toque inseguro, titubeante, e estranhei demais aquilo, era outro Cássio me tocando, como se fosse um virgem, totalmente incauto diante de uma mulher; segurei sua mão e a conduzi para minha xoxota, e ele a dedilhou, a acarinhou de forma gostosa, mas não gostosa como antes, porém, mesmo assim me excitei.

—Cadê minha pirocona grossa e gostosa? Indaguei, tateando sua virilha, tentando estimular e restabelecer o ânimo daquele jovem, trazer o Cássio comedor fodão de volta.

—É que... eu não tô legal sabe? Despejou o macho, com uma carinha de dar dó. Ele tirou minha mão de sua rolona, a qual senti mais ou menos dura, e esperei ele despejar o tropeço...

—Aconteceu alguma coisa? Estou notando você tão murchinho! Indaguei e comentei.

—Mais ou menos, só tô meio cansado do serviço, o povo tá desesperado com essa Reforma da Previdência, muita gente com dúvida e com medo sabe? Pedi ajuda ao Miguel pra ver se consigo explicar direito pras pessoas mais leigas, mas tá complicado! Respondeu Cássio.

Pelo jeito ele não iria se abrir. Homens dificilmente expõem seus problemas, então comecei a confabular comigo, e a fixa do pastor que fez Cássio tropeçar... foi Stella ou Vitória...

—Nem me fale dessa reforma, eu estou dividida entre gostar e odiar. Talvez eu perca minha aposentadoria compulsória como professora, e isso me deixa triste! Comentei, seguindo com carícias pontuais na coxa do jovem, subindo para o pauzão e apertando. Ouvi ele suspirar.

—E... tá tudo bem com você? Tá curtindo o grupo? Questionou, e fiquei acanhada. Putz, ele sequer retribuía as carícias que eu incessantemente lhe dava. Diabo era aquilo?

—S-Sim... está sendo bem bacana, as notícias voam mesmo hein? comentei, e ele riu.

—Tão te perturbando muito por encontros? Perguntou Cássio, meio tímido.

—Ah sim, bastante; filtrar as melhores propostas está difícil, mas... e você? Aproveitando bastante agora que seu pai foi para o interior? Respondi, indaguei e ele riu.

—Ah, brinquei algumas vezes, mas agora dei uma freada sabe? Todo exagero faz mal e... é bom dar uma dosada, mesmo com um monte de menina perturbando! Disse o novinho.

Incrível, ele estava realmente abalado, seu sorriso não era sincero, então alisei sua coxa e senti sua rolona razoavelmente dura. Ele devolvia as carícias de forma... não diria desinteressada, mas... sem ser incisivo, sem a pegada que me fez dar meu corpo a ele tantas vezes, abolindo o preconceito por conta de sua pouca idade. Foi tão desastroso assim? Não estaria ele exagerando com essa postura? 

—O que você tem Cássio? Por que... não aproveita? Estou com saudade sabia? Questionei, abraçando o jovem e tentando lhe dar motivação através de beijos curtos e lambidas, proferindo gemidos e sussurros em seu ouvido e alisando seu pauzão... meia vida...

—Foi mal Lulu, mas... não ando muito legal, várias coisas acontecem numa lapada só e... às vezes é foda lidar, mas vou ficar de boa... prometo, eu te adoro muito e... quando tiver melhor... a gente faz bem gostoso, do jeitinho que você gosta! Respondeu Cássio, me alisando.

—Quer se abrir? Quer desabafar? Às vezes é bom ser ouvido! Indaguei e comentei, cessando as carícias. Cássio negou com a cabeça, sorrindo amavelmente e alisando meu rosto.

—São coisas de homem... não leve a mal, não quero dizer que você não me entenda ou que não me passa confiança, mas... sabe... homens lutam com demônios... que só homens podem lutar! Disse Cássio, e foi impossível não lembrar de Rodrigo e dei um sorriso.

Não adianta... Cássio jamais falaria que arregou para uma mulher, principalmente para mim. O orgulho ferido de macho não o deixava expor essa mácula em sua virilidade.

—Tudo bem meu amorzinho, a vida de um homem não é fácil mesmo, nunca foi e nunca será; eu... só quero o seu bem, te adoro de verdade e me preocupo, não quero vê-lo cabisbaixo, porque você é um homem inteligente, esforçado e adorável, mas sei que tem suas dores, contudo... se precisar de um ombro, o meu sempre estará aqui, e... talvez o de Tatiana também esteja não é? Retruquei, ensejando outro assunto, e Cássio deu um sorriso meio tímido.

—Olha... não sei explicar, mas... a Tatiana... ah, é foda... acho que ela não entende essas coisas! Replicou Cássio, que abaixou a cabeça. Se Rodrigo não tivesse me dito o que disse...

—Ela não entende ou você não a deixa entender? Indaguei. Cássio me fitou pasmo.

—Acho que... talvez eu não tenha percebido isso nela... porque ela é mais nova que eu, meio... ameninada demais, mas, eu... gosto dela! Respondeu o macho, visivelmente perdido.

—Cássio... você acha divertido trair sua namorada? Indaguei, sentida e ele me fitou.

—Não, mas não é fácil... renunciar a essa vida sexual; eu não diria que sou escravo dela, mas... ah... acho que tô falando merda e vou acabar me queimando contigo! Disse o jovem, acanhado.

—Não meu amor, eu te entendo, também traio, mas... observe a Tatiana... talvez ela possa e quer te dar tudo aquilo que você tem comigo e com as outras, mas seus olhos não querem enxergar por conta da vida tão sexual que você está acostumado a levar! Retruquei.

Cássio sorriu lindamente e me abraçou mais, e senti sim seu ânimo se renovando, mas não transamos, ele ficou ali... recebendo meu carinho, depois se foi, mais alegre...                      

FIM

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Olá queridos alunos, como mencionado na introdução, os textos S.S. não podem ser suprimidos porque isso causaria um prejuízo enorme ao entendimento do que vem em seguida, e conforme eu já disse inúmeras vezes, meus relatos foram escritos a princípio, como um diário eletrônico, um vício que eu tinha desde nova, onde o fazia em cadernos, e quando todo esse turbilhão de eventos começou a se suceder, meu vício aumentou e não deixei de registrar nada.

Alguns leitores por e-mail, disseram amar os textos S.S., por mostrar um lado mais humano meu e das pessoas que me rodeiam, e isso é maravilhoso, mostra que são pessoas sensíveis e atentas às entrelinhas da minha mensagem, a qual não se resume apenas a sexo narrado de forma instigante.

Bem, 2024 têm se mostrado até aqui, um ano tão tenso quanto o anterior; muito estresse, problemas, minha amiga Raimunda passando por uma situação bem delicada, e nem sempre aquilo que nos aflige e dói em nosso curso pelo mundo, pode ser curado com uma trepada gostosa, o sexo nem sempre é a válvula de escape para algumas chicotadas que a vida dá, mas enfim... força amiga.

Não vou me alongar muito, então na quarta-feira, mais uma aventura gostosa e cheia de surpresas virá, outro revival, porém, delicioso, e os leitores que leem atentos aos detalhes muitas vezes fora das descrições sexuais, irão adorar e ficar mais instigados. Como vão as memórias de vocês?

Será que Cássio vai se recuperar do baque? O que aconteceu de fato com ele? Aguardem...

Essa semana tentarei postar até quinta para diminuir o atraso, mas não garanto...

Beijos, tenham todos um começo de semana maravilhoso, com muita paz e trabalho.

lucycontistasexy@gmail.com


Comentários

  1. Todos os seus textos são ótimos.

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  2. ola querida e deliciosa professora...adoramos seus contos SS..eles nos trazem um pouco do ser Luciana e de todos à sua volta...continue...um beijo...de seus admiradores kkkkk

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    1. Obrigada meu querido, fico muito feliz que esteja gostando dos textos S.S. Beijos.

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