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Redescobrir, ou descobrir minha sexualidade, pelo menos no meu caso, me deixou surpresa por saber que podia desbravá-la ainda mais. Eu sempre fui uma pessoa que buscou aprender coisas novas, vivenciar novas sensações, a curiosidade sempre foi a mola motriz de tudo em minha vida, não só no tocante ao sexo, e quando esse leque de possibilidades se abriu para mim ao entrar no grupo, senti que realmente ia me definir de uma vez como ser sexual.
Sim, eu pensava que já tinha me definido ao experimentar tantos homens
e tantas práticas sexuais, entretanto, choquei e me excitei ao saber tudo
aquilo não passava de um ensaio para algo muito maior, mas eu ainda estava
insegura, embaralhada em sentimentos e sensações as quais não conseguia
organizar, e tudo isso mais uma vez... me assustou...
Fiz questão de dar um pedaço daquele delicioso bolo para cada um, como uma lembrança. Aquelas pessoas que me receberam com tanto carinho e afeto sinceros, faziam parte de minha história sexual, e naquele evento de boas-vindas, entraram em minha corrente sanguínea de uma vez. Abraços, beijos, palavras positivas, piadas, risos e lembranças.
Era um novo momento, que se dividiu em
vários momentos. Algo que nunca vivenciei nem mesmo nos tempos de faculdade, nas
minhas colações de grau e tampouco no meu casamento, o qual foi modesto, mas
cheio de amor e carinho. Eu vi o belo naquele evento tão simples.
Os presentes, assumiam a condição de ausentes, cada um seguindo sua
vida e deixando rastros de positividade. Sobraram apenas eu, Suzy, Katiane e Rodrigo
naquela casa enorme.
—Por que não trouxe a Juliette, Rodrigo? Indagou Suzy, e o homem riu.
—Ela não gosta muito desse tipo de... evento, então ficou em casa!
Respondeu.
—Me convidou para ir com você porque quer comer nós duas? Perguntei.
—Pode ser, acho que a Juliette não vai objetar! Disse Rodrigo, e ergui
a sobrancelha.
—Fala sério? Eu perguntei isso brincando! Indaguei e comentei.
—Não brinca Luciana, o Rodrigo dá um boi para não entrar numa putaria,
e 10 fazendas de bois para não sair dela! Esse cara ama uma sacanagem! Comentou
Suzy, que abraçou nosso macho e o encheu de beijos e dengos. Ele riu, com uma
expressão tão linda no rosto.
—Ah, eu adoro transar com duas mulheres! Acho o máximo! Comentou Rodrigo.
—E com três? Indagou Suzy, com o dedinho na boca e apalpando a tora
dele.
—Suzy, ligação do Seu Thales, é urgente! Anunciou Katiane.
—Puta que pariu, acho que nossa brincadeirinha já era! Caralho! Comentou
Suzy, que deu uma bufada forte, ajeitou o short e saiu, sacudindo a cabeça,
visivelmente aborrecida. Ih, o clima murchou na hora, mas minha curiosidade
inflou, então indaguei, cochichando:
—Quem é esse Seu Thales?
—Digamos que ele é o patrocinador do grupo e “marido” da Suzy! É um
coroa ricaço, que banca a loira em tudo, e injetou muito dinheiro no grupo. Normalmente
quando ele liga, é porque vem visita-la, e as atividades do grupo e das meninas
são suspensas! Explicou Rodrigo.
—Nossa... imagino a raiva da Suzy de ter que transar com um velho do pau
mole só por grana! Coitada. Comentei. Rodrigo me fitou com um sorriso maroto e
retrucou:
—Pau mole? Olha, não sou muito de reparar em pintos não, mas o velhote
é bem equipado; claro, não chega aos meus pés em grossura, mas não é pequeno
não, e funciona!
—Sério? Indaguei, surpresa, mas sem curiosidade sobre o coroa. O Pastor
respondeu:
—Sim, mas ele é um homem meio... careta, não curte a proposta do grupo, não
faz bacanal algum; quando ele vem, quer a Suzy só para ele, rejeita qualquer
outra mulher e acha que tem a fidelidade dela! Coitado, ou ele se faz de
idiota, ou então é muito idiota!
—Talvez seja um corno que só quer admitir isso para si mesmo! Comentei. Rodrigo riu.
—Bem por aí! Endossou Rodrigo, rindo e rimos mais.
—Então ele não se envolve nos assuntos do grupo? Perguntei.
—Não muito, ele é só o “caixa 24 horas” da Suzy! Tudo que ela precisa
relacionado a dinheiro ele dá, mas como não tem almoço grátis na vida... a
cobrança às vezes vem, e é em momentos como esse que ela tem de pagar, mas o
velho atende às exigências sexuais dela, é dotado, até dá prazer a ela, todavia...
quando o santo não bate, não tem jeito! Disse o macho.
—Pessoal, sinto muito... nossa recreação vai ficar para outro dia!
Falou Suzy, desolada.
—Oh, Suzy, que chato! Eu estava ansiosa para participar de uma transa
com você, fiquei realmente muito animada! Que pena! Comentei, abraçando a
mulher, que estava triste.
—Rodrigo... promete ficar comigo quando o Thales for embora? Pediu
Suzy, bem desolada.
—Como sempre... né! Pode deixar, eu fico sim! Disse o pastor, sorrindo.
Suzy correu para seus braços e o abraçou forte, com a cabeça aninhada em seu
peito. Parecia uma menina.
—Oh Rodrigo, você é o meu anjo da guarda! Agora vão, ele está chegando!
Disse a loira.
—Tenha juízo, sua maluquinha, você não precisa se sujeitar a isso, dá
logo um pé na bunda desse velho e seja livre! Aconselhou Rodrigo, puxando de
leve a orelha dela.
—Me chama de maluquinha de novo! Adoro quando você me chama assim!
Pediu Suzy.
—Maluquinha...! Disse Rodrigo, e eles se beijaram, Suzy gemeu, manhosa.
Senti ciúme...
—Eu gosto de chifrar ele com você e o Miguel! Disse a mulher, e
arregalei os olhos.
—Vamos indo Luciana! Chamou Rodrigo, após gargalharmos. Assenti e fui
até eles.
—Obrigada pela festinha Suzy! Amei mesmo e... se cuida! Falei, e nos
abraçamos.
Saímos da casa de Suzy e acompanhei Rodrigo até sua casa, em seu carro,
temerosa de encontrar com Juliette e fazer a jovem passar por algum
constrangimento. Ela não era do tipo que tinha a mente tão aberta para o sexo,
e provavelmente ela recusaria uma surubinha. Bem, essa era a impressão que ela
havia me passado, mas eu poderia me surpreender... e muito...
Quando chegamos à sua casa, achei que sairíamos do carro, então indaguei:
—Rodrigo... a Juliette não vai ficar chateada se me vir com você? Não
quero causar constrangimento a ninguém, ela pode se aborrecer e ir embora, e
isso é chato!
—Claro que não, só vamos conversar! Respondeu.
—Nossa, obrigada pelo fora tão direto! Retruquei, meio triste. Eu
queria rola... mesmo com a garganta doendo, ardendo e tentando tossir o menos possível... eu aguentaria sim..
—Ei, não faça essa carinha, achei que fôssemos amigos também! Em um
caso há uma amizade, um vínculo importante que precisa ser cultivado e mantido!
Retrucou.
—Sim... somos, mas... ah... está bem... meu amigo! Falei, o abraçando.
—E depois, realmente seria constrangedor para a Juliette! Comentou
Rodrigo.
—Como assim? Você disse lá na casa da Suzy que não teria problema em
ela participar! Indaguei e comentei, confusa. Ele riu e replicou:
—Eu estava brincando, apesar de a Juliette saber dessa minha vida
sexual maluca, não gosto de expô-la a situações assim! Olhei para ele, e comentei
e indaguei, afim de confirmar o que Suzy havia me dito sobre o lance dos dois, e...
para confirmar o possível parentesco de ambos:
—No dia daquela discussão acalorada entre você e Ayla... ouvi você
mencionar que a Juliette cuida do seu filho mais novo e faz outras coisas além
de sexo, e... também vi o semblante e as palavras furiosas dela ao se
referir... a... sua cunhada! É sua cunhada, correto?
—Sim... ela... é minha ex-cunhada! Olhei para ele admirada e indaguei,
sem entender:
—Entendi errado quando você disse que não se envolve com mulheres de
sua igreja? Rodrigo deu uma risada meio alta, sacudiu a cabeça lentamente, e após se
controlar, respondeu:
—Calma, vou explicar! A Juliette... não é uma fiel, deixou de
frequentar a igreja evangélica há anos e não se batizou em minha igreja, porém, nunca abandonou o que aprendeu e vive como uma evangélica, mas acaba se envolvendo indiretamente.; ela lidera
o grupo de jovens de meu pequeno templo e pratica sua fé! Opa, acho que Suzy
não sabia do “parentesco” dos dois... pensei.
—Mas você não dorme mesmo, hein... até a cunhada! Comentei, brincando.
Ele riu.
—A história não é bem assim, mas por favor... não comente nada com Suzy,
falei isso porque confio em você! Respondeu e pediu Rodrigo, olhando
profundamente nos meus olhos.
—Eu percebi quando você mentiu para ela e me fitou daquele jeito, como
se pedisse segredo! Não se preocupe, não vou comentar nada! Retruquei. Ele
então revelou:
—Juliette e eu nos tornamos “amantes” após a morte de minha esposa, há
dois anos!
—Sério? Nossa... que idade ela tinha quando... enfim! Indaguei,
ressabiada.
—20 anos, mas sua honra permanece incólume! Disse o pastor, sereno.
—Hã? Como assim? Se vocês são amantes... como ela ainda é virgem? Questionei, confusa.
—Tem muita virgem que faz anal! Replicou Rodrigo, e estarreci. Uau... a menina era braba...
—Só... só sexo anal? Indaguei, impressionada. Ele assentiu e continuou
as revelações:
—É complicado... ela me disse que só vai deixar que eu tire sua
virgindade vaginal se nos casarmos, porque será o presente de casamento dela
para mim! Ah... é foda, no meio disso tudo tem a Ayla, e se existe alguém
dentre todas as amantes que tenho, capaz de causar pavor, pânico, e
desequilibrar totalmente aquela negona, esse alguém é a Juliette!
—Tenho medo de ser mal interpretada se... pedir que você me conte mais,
porque envolve sua intimidade, mas... se quiser continuar! Falei, curiosa, mas temendo
ser indiscreta.
—Tudo bem, não me importo em falar sobre isso, afinal, quando você
chegou para fazer sua prova, viu Juliette ao meu lado, e mais cedo ou mais
tarde a veria! Disse Rodrigo.
—E-Está certo...! P-Pode falar então! Respondi. Então era isso, Rodrigo queria desabafar, o motivo de ele querer conversar comigo, não era sobre meu teste, e sim sobre Juliette, porque o semblante e o tom de voz do pastor... carregavam uma enorme angústia e remorso...
—Você teve uma amostra de como é minha relação com Ayla; nosso caso
dura quatro anos... é uma história que vai além do tesão, além dos orgasmos;
ela tinha dois amantes fixos, renunciou a eles e ao grupo, para investir nessa
história apenas comigo, contudo... Juliette... ao me ver livre... também
resolveu investir... e acolheu meu filho mais novo como se fosse dela, porém,
sem intenção de ser a mãe dele, mas sim... minha esposa! Contou Rodrigo,
desolado.
—Nossa... e-ela... se apaixonou por você? Indaguei. Rodrigo relatou:
—Sim... Juliette sempre foi apaixonada por mim... e sempre me
assediou... mesmo quando minha esposa, sua própria irmã... era viva, mas Deus sabe... eu nunca cedi, nunca dei abertura, e eu também nunca a assediei, porque
em casa eu não podia ser o Abençoado!
Pela primeira vez... eu via um homem absurdamente experiente como
Rodrigo... acuado, cuidadoso no falar e muito amargurado. Sua confissão era
sincera, e me consternei.
—E... sua esposa... percebia isso? Perdão... esqueça, você disse que
não queria falar sobre sua mulher, então... fale... o que tiver vontade!
Indaguei e comentei, tocando sua coxa.
—Tudo bem, não precisa se desculpar... é parte de minha vida, e...
minha esposa não via os assédios de Juliette com maldade, tratava aquilo...
como um carinho por mim, pois a conheço praticamente desde que nasceu!
Replicou Rodrigo, me fitando sereno.
—C-Como assim? Então... como eram esses assédios? Questionei, bestificada.
—Justamente por eu conhecer Juliette desde novinha, é que minha esposa
não maldava a conduta da irmã; seus assédios eram facilmente confundidos com
carinho e respeito; ela me dava abraços, beijos no rosto, cuidava de minhas roupas,
alimentação... então essa era a forma de Juliette me assediar perante sua irmã,
fazendo discreta e indiretamente o papel de esposa, sob alegação de querer
ajudar, porém... quando ficávamos à sós...! Explicou Rodrigo, que se deteve.
—E-Ela... o assediava... no sentido real da palavra! Comentei. Rodrigo
replicou:
—Presumo que Suzy lhe contou superficialmente como era meu casamento!
—S-Sim... contou! Respondi, com o peito apertado diante do olharzinho
dele.
—Juliette sabia de tudo, porque era confidente da irmã, e... ciente
disso, propôs ser minha amante para me dar o que faltava em meu matrimônio, mas
eu já tinha isso... e a parte benéfica de ser um membro do grupo foi justamente
essa: ter mulheres dissociadas de minha vida social e familiar, e isso me deu
forças para recusar suas investidas! Contou o pastor.
—Mas uma mulher apaixonada... não desiste, e Juliette não desistiu né?
Indaguei.
—Não... não desistiu! A rejeição machuca as pessoas e pode leva-las a uma retração total e não aceitação das coisas como elas são, gerando questionamentos sem fim, e que podem evoluir até mesmo para um quadro depressivo, mas em contrapartida... a rejeição pode
motivá-las a persistirem com mais determinação, até conseguirem! Explicou
Rodrigo, que deu um longo suspiro depois.
—E a Juliette conseguiu... após a morte de sua esposa! Comentei.
Rodrigo assentiu.
—A viuvez me deixou desnorteado, confuso, e principalmente...
vulnerável e fragilizado, sem saber o que fazer, mesmo sabendo que deveria
seguir em frente pelo meu pequenino filho, e foi nessa hora... que Juliette
tentou dar continuidade ao que era meu casamento, mas... na intenção... de
corrigir aquilo que ela julgava ter sido os erros da irmã! Disse o pastor.
Nossa... aquilo foi forte de se ouvir...
—Então... você acabou se entregando, se permitiu essa continuidade!
Repliquei.
—Não foi bem uma continuidade, mas Juliette... parece uma cópia, um clone de minha falecida esposa, e isso contribuiu para que meu torpor mental diante dessa perda tão arrasadora... fizesse eu me entregar, mas não foi pela questão sexual, juro por Deus que não foi... é porque vi minha esposa em Juliette... e ali... tive a feliz e dolorosa ilusão de que ela continuava viva e tudo seria diferente, porém... uma vida não se bifurca, e foi justamente no sexo... que a diferença entre ambas me fez despertar para a realidade de que... minha esposa estava morta e ponto! Explicou Rodrigo, e me arrepiei toda.
—E... Ayla? Por que tanto ódio assim de Juliette? Questionei, atônita.
—Ayla testemunhou acidentalmente uma de nossas transas... e ouviu
Juliette declarar seu amor e sua promessa de se tornar minha esposa... e me
tirar desse caminho sexual excêntrico, e como a negona sempre teve um
sentimento de posse por mim... ficou furiosa... porque a confusão de tudo
aquilo em minha mente... quase me fez aceitar, então... uma contenda muito
desagradável e triste aconteceu! Respondeu e explicou Rodrigo, desolado.
—B-Briga mesmo? Ayla... agrediu Juliette? Perguntei, tensa. O pastor
explicou:
—Por pouco não descambou para uma agressão, porque Ayla ficou
transtornada, mas protegi Juliette e tentei acalmar os ânimos; foi uma cena
muito lamentável. Tem homem que gosta de ver mulheres brigando por ele, mas eu
não... principalmente porque Juliette, em momento algum revidou as ofensas fortes
de Ayla e tampouco a provocou, ela só sabia ficar encolhida no canto... e
chorar amedrontada, enquanto Ayla chorava seu pavor de me perder, totalmente descontrolada!
—Sua relação com Ayla também é bem profunda né? Comentei. Rodrigo replicou:
—Sabe Luciana... eu não julgo uma história a dois, baseada em atitudes regidas
por um desequilíbrio emocional momentâneo e gritante; Ayla teve e tem sua
importância no meu processo de luto, é possesiva às vezes, mas fez suas renúncias
pessoais e ficou ao meu lado, então ela tem qualidades consideráveis, e digo isso
analisando-a como um ser humano e não uma amante!
—Eu sei meu amorzinho... seu lado humano é sobre-humano! Comentei.
Rodrigo riu.
—Muitas pessoas se solidarizaram comigo e mostraram sua empatia, mas Ângela,
Ayla, Juliette, Miguel e Sandra... foram os que se desprenderam sem medida para
me consolar e amparar meu filho; claro, minhas demais amantes e amigos também
chegaram junto, mas tinham e têm suas vidas e eu compreendi isso, porém... Ayla
até hoje julga as atitudes de Juliette como uma forma de tirar proveito da situação...
e me isolar dela e de vocês! Relatou Rodrigo.
—Mas o sentimento possesivo de Ayla também não quer isolá-lo de nós?
Perguntei.
—Em um primeiro olhar, sim, mas não é exatamente isso... Ayla quer uma
espécie de exclusividade, se sobressair e ganhar minha total preferência,
aceita meu envolvimento com as outras, porém... vive esperançosa que eu enjoe
de vocês e seja apenas dela, então ela se doa sem medida, esperando que essa
decisão parta de mim, mas claro... isso a faz sofrer! Disse o pastor.
—Se doa sem medida... espontaneamente? Você sente isso? Questionei.
—Sim, eu sinto, e eu não diria que é genuíno, mas é quase isso! Respondeu o pastor.
—E... Juliette? Indaguei. Rodrigo deu um lindo sorriso, mesmo consternado e falou:
—Juliette acha meu estilo de vida imoral e dissonante com o de um homem
decente, pai de família e líder religioso, e por isso quer me tirar dele na
marra, só que Ayla vê maldade e dissimulação no intento de Juliette, ela acha
isso um embuste! Arregalei os olhos ao ouvir aquilo.
—E... como você está lidando com isso? Juliette lhe pressiona para nos
deixar e ser só dela? Indaguei, segurando a mão de Rodrigo. O pastor respondeu de
forma ambígua:
—Sim, pressiona, mas... eu não quero continuar nada com ela e nem
recomeçar!
—É porque aceitar a Juliette... significa repetir os erros de seu
casamento né? Indaguei.
—Exato, e ela não merece isso! Replicou Rodrigo, com olhos marejados. O
abracei.
—Não sei como você vai manter o equilíbrio no meio desse turbilhão,
mas... eu estarei ao seu lado, o acolhendo não só com meu corpo... mas com meus
sentimentos! Conte comigo meu amor! Falei, olhando profundamente nos olhos do
pastor, e ele deu seu lindo sorriso. Amargurado sim, mas lindo.
—Cativar sua doçura e sensibilidade... é uma conquista que jamais vou
menosprezar por desejos egoístas de outrem! Disse Rodrigo, e me arrepiei toda,
então nos beijamos, o beijei com toda a minha paixão, porque aquele homem sabia
valorizar uma mulher como um todo.
—Me sinto meio... sei lá, arrependida de ter entrado nesse grupo! Comentei,
desolada.
—Não, não pense assim, vai ser uma experiência interessante, você vai
se redescobrir ainda mais, conhecer gente nova, fazer amizades... e isso é muito
saudável, porém... precisa ter atenção redobrada a partir de agora, porque as
propostas de encontros vão acontecer a qualquer hora do dia e da noite, sendo
assim... tome cuidado! Replicou e advertiu Rodrigo.
—E-Eu sei, pode deixar! Falei, meio apreensiva. Rodrigo aconselhou, empático:
—Não existe traição perfeita, eu tomei todos os cuidados possíveis, achei que tinha minha vida bem guardada no bolso, no entanto... não percebi quando o bolso furou, então calcule cada
passo que der, e não protele seu divórcio, pois já que você o
quer e estava decidida a isso antes mesmo de entrar no grupo, reforce essa
decisão e agilize, porque curtir a vida sem preocupação é bem melhor!
—Rodrigo! Disse uma voz feminina. Nos assustamos e quando percebemos,
lá estava Juliette, do lado de fora, com parte do portão da casa do pastor
aberto, e uma carinha de dar dó, mas mesmo assim... linda, de um charme
assustador, o qual desatinou claramente Rodrigo.
—Juliette! O que está fazendo aí? Disse e indagou Rodrigo, surpreso.
—Ouvi o barulho do seu carro chegando... e... vim abrir o portão pra você entrar! Disse
a jovem, que escancarou o portão da casa de Rodrigo, e ele deu um longo
suspiro.
—Vá, dê atenção a ela... eu volto à pé! Pedi, com pena do olharzinho
dela.
—Não, espere um momento... vou deixar você em casa! Avisou o pastor,
que saiu do carro e foi até onde a ex cunhada estava, em seguida ele trocou
algumas palavras com ela, as quais não consegui ouvir, mas a troca de olhares
entre o casal me deixou arrepiada, mesmo o comedor mantendo distância dela, e a
mulher assentiu com um semblante apaixonadíssimo.
Juliette abraçou Rodrigo, que relutou em corresponder a princípio, mas
correspondeu e afagou os cabelos da ex-cunhada, todo acanhado; em seguida ela se desvencilhou, e não teve vergonha de dar um rápido beijo na boca dele, sorrir
mais apaixonada ainda, entrar em casa e fechar o portão. Rodrigo abaixou a
cabeça, passou a mão no rosto e voltou ao carro.
—Ela é mais que apaixonada por você! Ela o ama, isso é nítido! Comentei, porque fiquei com dó de Juliette, e ao mesmo tempo... constatei o amor brutal que ela tinha por ele.
Rodrigo fechou os olhos rapidamente, sacudiu a cabeça
devagar e deu outro longo suspiro.
—Não posso ignorar que vocês existem em minha vida, porque essa
dualidade que vivo com Juliette é muito perigosa! Disse Rodrigo, alisando
minha coxa, com um olhar penoso.
—Porque foi assim que você viveu com sua esposa não é? Indaguei. Rodrigo assentiu sem nada dizer, então o abracei, depois ele ligou o carro e me levou até minha casa...
FIM
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Olá queridos alunos, como falei no post anterior, esse texto é uma espécie de epílogo da série que abriu o Terceiro Ato, é importante e fundamental para entender certos eventos que vão ocorrer mais adiante, e que vão surpreender; particularmente foi uma experiência bem impactante.
E os imprevistos mais uma vez me impediram de seguir o cronograma; minha filha chegou na terça-feira, o que me deixou muitíssimo surpresa, pois ela havia me dito que viria na sexta à noite, no caso, ontem, mas enfim, não achei ruim de jeito nenhum, pois cada segundo com ela é valiosíssimo para mim, fora isso, trabalhei mais do que o normal nessa última semana letiva, e estou exausta, sendo assim, resolvi fazer essa postagem dupla, um relato, e outra especial de Natal. Espero que gostem.
Sobre esse texto, Dualidade é uma série curta, mas que não segue obrigatoriamente uma sequência, ou seja, a parte 2 não vem imediatamente após a parte 1, a parte 3 não vem subsequente a parte 2, enfim, os eventos foram acontecendo e a semelhança brutal entre as circunstâncias me fizeram optar por este título, e adianto que a parte 3 tem um peso dramático bem mais acentuado.
É isso, arrumei uma vaguinha enquanto minha filha foi visitar a tia, que mora na capital e então postei. Os relatos com sexo iriam ser postados, contudo, não deu tempo escolher as fotos por conta da surpresa que minha princesa fez, e digo: AMEI estar me arrumando para ir trabalhar e ouvir a voz dela me chamando no portão, às 6h25 da manhã. Me emocionei e corri para dar meu melhor abraço nela.
Beijos, tenham todos um dia cheio de paz, alegrias e muito trabalho.
lucycontistasexy@gmail.com
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Comentários

Lindo texto…sempre muito bem escrito…Feliz 2024 amiga.
ResponderExcluirFoi algo tocante e emocionante de ler Professorinha! Feliz 2024! E que venham suas narrativas sempre apaixonantes
ResponderExcluirSeus textos sao maravilhos, aguardando o Terceiro Ato.
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