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Olá queridos alunos. Como vocês já sabem, desde que criei o blog, todo dia 15 de outubro faço um post de “auto-homenagem” ao meu ofício de professora, e a todos os professores desse país. Em cada postagem, relato um pouco de minha trajetória como docente, como escolhi e abracei com amor e coragem essa profissão, os desafios, enfim... eu amo ser professora, não tem jeito, por mais que diariamente eu me sinta cada vez mais desestimulada a seguir lecionando, a voz lá no fundo do meu coração me manda continuar, não desistir jamais.
Claro, o objetivo dessas postagens é mostrar a todos que não
me resumo apenas a uma praticante do delicioso sexo surreal e inacreditável que
vocês leram até agora e que desperta os mais indizíveis fetiches e desejos em
vossas mentes. Eu também quero mostrar meu lado humano, o lado de qualquer ser
humano normal, que vive em um país cada vez mais insólito em todos os aspectos,
cada vez mais imprevisível e aterrador conforme os dias passam e passam.
E ser professor no Brasil é viver sob uma tensão tão
indizível quanto o tesão que sinto...
Poucos alunos com os quais lido nas turmas em que leciono,
pensam em seguir adiante nos estudos (cursar a Universidade) e construir uma
carreira de retorno satisfatório e estabilidade financeira; alguns anos atrás
esse número era de mediano para baixo, atualmente... é quase ZERO, e os
minguados discentes que ambicionam galgar degraus mais altos... não querem o
magistério como profissão, justamente porque conhecem os percalços da mesma.
Percalços é um eufemismo, vamos falar em português claro: é
PERIGOS mesmo...
Pela primeira vez em mais de uma década como professora
(juntando o período em que lecionei no ensino privado), vi os poucos alunos que
decidiram fazer faculdade, não mostrar qualquer interesse no magistério, e isso
me preocupa, ao mesmo tempo que me deixa triste, pois alguns deles têm um
visível potencial para serem professores, mas eu entendo, e como entendo,
porque esses alunos sabem que ser professor está cada dia mais perigoso e
insalubre.
Quem aqui se lembra dos atentados às escolas brasileiras
ocorridos no início desse ano e que tiveram uma preocupante escalada? Creio que
poucos se lembram devido ao tempo que já se passou, mas eu refresco as memórias
de vocês, e acredito que o mais terrível e brutal, o qual constata a falência
do sistema educacional brasileiro, foi o ocorrido na Vila Sônia, em São Paulo,
cujo saldo teve como vítima fatal, a professora aposentada Elizabeth Terneiro,
de 71 anos.
Uma professora, que mesmo aposentada... lecionava por AMOR.
Na época em que isso aconteceu, eu e meus colegas ficamos em
estado de pânico, pois no bairro onde moro quem manda é o crime, o tráfico de
drogas, que ano após ano, coopta jovens para aumentar seu contingente... e
aterrorizar a população. Quem leu a minissérie “MOTIVAÇÕES”, sabe que Lidiane,
minha ex-aluna, tinha dois irmãos pertencentes a essa facção, e vários desses
jovens bandidos... estão na escola em que trabalho, então o medo é constante...
A coisa foi querendo escalar, outros ataques a escolas
aconteceram até pouco depois do meio do ano, e, como sempre, o governo
banalizou e continua banalizando a questão da segurança pública, com muita
hipocrisia e discursinho vazio, e por mais que a polarização esteja cada vez
mais alta e atroz... não tem como negar que um lado quer o colapso da
sociedade, para caminhar sobre a pilha de cadáveres e beber o sangue das
vítimas, posar de salvador da sociedade, vendendo a solução para o problema que
eles mesmos criaram, enquanto o outro só quer PUNIÇÕES REALMENTE EFETIVAS E
MAIS SEVERAS contra atrocidades como essas.
Alguns de meus colegas desenvolveram síndrome do pânico e
precisaram tirar licença, pois foram ameaçados pelos “menininhos lindos” que
governos canhotos adoram mimar e até mesmo justificar (como se houvesse
justificativa) seus crimes. Coitadinhos né? Que mundo mais cruel esse onde um
filho da puta, criado por dois filhos da puta, precisa externar seus “traumas”
à custa da vida de inocentes, entre eles crianças e idosos, só porque foi
vítima de bullying.
No meu tempo... bullying se resolvia na porrada. Acho que no
tempo de vocês também, pois a faixa etária da maioria dos meus seguidores aqui,
passa dos 30 e 40 anos, então vivemos sim em uma sociedade onde a maioria
esmagadora dos jovens não passam de cascas feitas de papel manteiga; sensíveis
demais, afetadinhos demais, qualquer coisa os faz chorar, os faz ter ódio, os
faz ver o mundo como vilão de suas histórias e adotarem um heroísmo apodrecido.
Por que estamos testemunhando essa bestialização tão
crescente da juventude atual? Por conta de pais cada vez mais prematuros e
imaturos, que botam filhos no mundo de forma irresponsável, sem sequer se
importar em transmitir valores a seus rebentos, ensinar o que é certo e errado,
não supervisionam o que eles consomem, só pensam no assistencialismo.
Redes sociais como TikTok e Instagram, fomentam uma cultura
da bestialização, da idiotização e inércia diante da vida, endossada pelas
políticas criminosas adotadas pelos governantes e a mídia. Como mencionei em um
dos meus relatos eróticos, a putrefação do sistema educacional brasileiro
começa na mesa dos poderosos, passa pelos bastidores da mídia e é repassada
pela mesma a sociedade, e o resultado é esse: caos e banalização de tudo.
Acontecimentos trágicos como esses que ocorreram nas escolas,
tiraram dos poucos jovens que querem ser alguém na vida, a vontade de ser
professor; a nós restou o sentimento de medo e frustração, frustração por vivermos
inseguros, vivermos sendo desrespeitados, e pior: saber que muitos colegas de
ofício também tiveram seus cérebros corroídos por esse sistema podre,
cleptocrata e corrupto que relativiza a vida e agora relativiza a democracia.
Pelo andar da carruagem, em breve teremos uma escassez de
professores no Brasil. Muitos vão pular do barco se essa violência e
insegurança desenfreada continuar, outros não vão querer se arriscar sabendo
que podem ter o mesmo fim que Elizabeth Terneiro; até mesmo minha filha, que
queria ser professora, já flerta com outra profissão, porque viu o quão nervosa
e amedrontada fiquei quando essa onda de barbárie nas escolas quase virou o
“novo normal”.
Queridos leitores, creio que a maioria de vocês tenha filhos,
sejam pequenos, adolescentes ou adultos; ensine-os a RESPEITAR seus
professores, por mais que muitos deles faltem com a ética em sala de aula por
causa da militância política, que eu tenho absoluta ciência de existir, e esse
fator na maioria das vezes queima nosso filme, mas lembrem-se que toda
unanimidade é burra, nem todo docente quer fazer uma lavagem cerebral em seu
filho.
E mesmo que isso ocorra, não é com violência que se resolve, existem meios civilizados para isso. Por mais revoltante que seja ver as instituições de ensino (escolas e universidades), sendo sequestradas por uma militância ideológica doente e abjeta que quer ver a ruína da sociedade, e que têm em alguns professores seus emissários, não podemos colocar todos os docentes como agentes doutrinadores; existe gente séria, que não quer militar e sim formar profissionais aptos para vencerem.
Cabe aos pais a tarefa de educar
seus filhos contra qualquer forma de doutrinação, a missão do professor é
LECIONAR a disciplina para qual estudou e formar pessoas QUALIFICADAS para
trabalhar, e se ele sair desse propósito, é indigno de ser professor.
Não só a violência nas escolas preocupa, mas a violência no
mundo todo. As pessoas estão perdendo o senso de justiça, de empatia, de
humanidade; o que está acontecendo em Israel é assustador, surreal e
inacreditável, mas principalmente: macabro. Inocentes pagando por crimes que
sequer cometeram, tudo isso é muito triste, e só resta orar a Deus para que
haja paz, para que o ser humano encontre paz sem precisar matar seu semelhante.
Eu planejei esse post para o dia em que essa tragédia na
escola da Vila Sônia aconteceu, mas achei melhor e mais oportuno fazê-lo no Dia
do Professor mesmo, para abranger mais casos tristes e aterradores como esse, e
que mexeram profundamente comigo, Raimunda e outros colegas, mas que não nos
tirou a coragem e o amor pelo magistério, então meus queridos alunos... ser
professor no Brasil, ou Bostil como muitos dizem... É PARA OS FORTES.
Feliz Dia dos Professores.
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Comentários

Parabéns professorinha fogosa! linda sua profissão!
ResponderExcluirMinha querida professorinha, endosso todas as suas palavras e me junto ao coro de pessoas dignas que rejeitam todos os políticos que para mim é uma raça a ser extirpada do planeta! SALVE PROFESSORES E PROFESSORAS, CUJO ESFORÇO E DEDICAÇÃO CONTRIBUEM PARA O ENGRANDECIMENTO DA HUMANIDADE MESMO A UM ALTÍSSIMO CUSTO! Beijos em teu coração!
ResponderExcluirParabéns professora Luciana…na Alemanha um professor tem um grande respeito pela população e seu salário se equipara a de um engenheiro…BOTO
ResponderExcluirCadê os novos relatos? Que demora!! Torna o blog desinteressante
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