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—Sua irmã é
uma mulher muito especial. Adorei conhece-la, de verdade! Disse Celso, que ao
elogiar Luciene, a fitou profundamente, e ela sorriu, depois inclinou a cabeça,
contraiu os lábios e aninhou a mesma no peito do comedor. Isso... seja feliz
minha maninha...
—E você Lulu? Gostou do Celso?
Indaguei, instigando, pois ela estava arriada.
—Muito... também adorei!
Respondeu Luciene, mordendo o lábio inferior e fitando Celso. Ela estava sim
bem mexida por ele, talvez... até se apaixonasse, porque ele era lindinho.
—Que tal nós quatro jantarmos no
Barbosa hoje? Propôs Cássio.
—Ah... por mim, está ótimo, vai
ser bacana! Comentei, aceitando.
—É... eu topo, e você Lu?
Aceitou e indagou Celso, a Luciene.
—Sim, tudo bem, vamos! Respondeu
minha mana, fitando Celso e segurando sua mão. Eu e Cássio trocamos olhares e
sorrimos mutuamente. É... o caçula de Valdo não transaria com minha irmã no
final das contas, mas ele não se importava com isso, é claro.
—A hora que vocês quiserem ir, é
só falar. Tá cedo ainda, então... bora matar o tempo! Comentou e sugeriu
Cássio. Assentimos e fomos para a varanda conversar.
Celso pôs uma música agradável
para tocar enquanto conversávamos, “Fuck me Pumps” da Amy Winehouse, uma
baladinha gostosa, que nos fez bater os pés e dançar discretamente ao passo que
jogávamos conversa fora. Eu via como Luciene estava feliz, estava radiante e se
sentindo bem na companhia do irmão de Cássio, e para quem viveu anos de uma
união frustrada, cheia de cobranças e machismo como ela, aquele momento, mesmo
informal e descompromissado, era a confirmação de seu desejo de ser feliz sem
medida, sem pudores.
—Pretende ficar quanto tempo
aqui? Indagou Celso, a Luciene.
—Er... só até metade dessa semana,
depois vou visitar o resto de meus parentes no interior, e aí volto pra São
Paulo! Respondeu minha irmã, já com a carinha meio triste.
—Eu... posso pedir umas folgas
acumuladas no meu serviço e... se você quiser, podemos passear, aproveitar bem
sua estada aqui! Comentou e sugeriu Celso, e Luciene sorriu.
—Seria muito bom se fosse
possível, eu planejei passear sozinha, mas bem acompanhada é muito melhor!
Replicou Luciene, alisando a mão de Celso, louca por ele.
—Humm... olha só, o homem está
interessado hein Lulu, aproveita! Provoquei, e rimos.
—A gente se deu bem, e eu quero
aproveitar sim! Obrigada Luluca, você tem amigos muito legais! Retrucou
Luciene, fitando Celso e em seguida me agradecendo.
—Só quero que você seja feliz
minha maninha, deixe as coisas ruins para trás e aproveite, e pelo visto está
aproveitando bem, porque o Celso é um amor de pessoa, assim como o Cássio!
Rebati, segurando a mão de minha irmã, e nos abraçamos.
Após um papo agradável, muitas
risadas e algumas demonstrações de afeto mútuas entre Celso e Luciene, fomos
para o Barbosa, onde combinamos de jantar. Pedimos Baião de Dois com Picanha
Assada na Brasa, Vinagrete e suco, pois eu não beberia mais a cervejinha
marota, já estava saciada, embora quisesse levemente um bis com Cássio, porém,
Rodrigo invadiu minha mente, e senti muita saudade, mas consegui me conter e
não ligar para ele...
Após o maravilhoso jantar, onde
nossa amizade se solidificava cada vez mais, Celso fez questão de levar a mim e
Luciene para casa, pois Cássio tinha medo de ficar muito tempo fora de seu lar,
já que Ariovaldo estava ausente. A bandidagem não era brincadeira, apesar de os
traficantes proibirem roubos e furtos no bairro onde moro, sempre tinham uns
desobedientes que gostavam de arrombar casas e levar o que pudessem para vender
e comprar drogas.
—Foi um prazer conhecer você Luciene! Você é uma mulher adorável e admirável!
Comentou e galanteou Celso, já conosco, próximo ao portão de minha casa.
—Er... vou entrar para ir ao banheiro, estou apertada, mas fiquem à
vontade, e obrigada Celso, fico muito feliz em saber que vocês estão se dando
bem, e a maninha também adorou né? Avisei e comentei, troçando e querendo
deixá-los à sós para se despedirem. O irmão de Cássio assentiu, e nos
despedimos com beijos formais no rosto, em seguida entrei.
—Entro já viu Luluca? Avisou Luciene, que contraiu os lábios. Fiz sinal
de positivo. Já dentro de casa, espiei pelas venezianas da porta, e vi o casal
se beijando. Ela tinha gamado em Celso, só a forma com que ela segurava o rosto
do comedor explicitava indubitavelmente isso...
Saí do quarto, trajando um baby doll florido de cetim, bem gostosinho,
e ao vir Luciene na cozinha, deixei, ou pelo menos tentei deixar Rodrigo de
lado um pouco, pois minha irmã exalava alegria, e eu não queria macular aquele
momento tão sublime de sua vida e sua sexualidade, o recomeço, a nova chance
que ela deu a si mesma, como eu...
—Vamos, me conte, me conte e me conte! Como foi? Pedi e indaguei,
radiante. Luciene riu alto, então a peguei pela mão e fomos rapidamente ao meu
quarto, e lá ela trocou de roupa, pôs apenas uma camiseta média e ficou sem
calcinha, pois já iria tomar seu banho.
Pensam que as mulheres não falam dos homens com quem transam umas para
as outras? Claro que falam, principalmente quando o homem tem a rola grande,
grossa e deliciosa como Celso, e eu sabia que Luciene estava felicíssima,
porque havia sido bem tratada pelo comedor, e isso foi percebido só pelo tom de
seus gemidos quando eu e Cássio os ouvimos...
—Mulher do céu... amei! Amei mesmo, fiquei com um pouco de medo, meio
tensa, mas o Celso foi tão carinhoso comigo, tão paciente, me tocou de um jeito
que nunca fui tocada antes, ele tem muita experiência Luciana, e é mais novo
que eu! Respondeu e desabafou Luciene.
—Eu e Cássio ouvimos seus gemidos de prazer! Repliquei, e Luciene
arregalou os olhos.
—Sério? Eu... gemi alto foi? Indagou minha irmã, ruborizada. Assenti
sorrindo, ela pôs a mão na boca e riu toda sapequinha. —Não deu pra segurar
minha filha, o homem fez tão gostoso que acabei esquecendo que estava na casa
alheia e vocês estavam lá! Completou a safadinha, rindo.
—Gostou de experimentar seu primeiro dotado? Indaguei, segurando sua
mão.
—Olha Luciana... achei que soubesse o que era um orgasmo, mesmo tendo
estudado sobre isso, mas me enganei, o Nivaldo nunca me fez gozar de verdade, nunca me
deixou gozar, já o Celso... ah... foi maravilhoso, nem sei as palavras
certas... amei minha irmã, e não foi só o tamanho grandão do pau dele que me fez
ter esse prazer tão único, foi tudo... foi a forma com que ele me tratou, a
sinceridade, a segurança que senti nele! Amei sim, nunca vou esquecer, e vou
sentir muitas saudades quando estiver em São Paulo! Desabafou Luciene,
marejando os olhos.
—Cássio nem pensar né? indaguei, troçando. Luciene negou com a cabeça,
rindo alto.
—Não Luluca, nada contra, adorei o Cássio sim, mas... quero aproveitar
esse restinho de dias com o Celso, ele me chamou pra sair segunda e... eu
aceitei! Respondeu Luciene. Assenti.
—Me conta com detalhes como foi? Desde o início? Pedi, pois tinha um
plano: o de relatar a transa de minha irmã, assim como relato em texto todas as
transas que tenho.
—Deixa só eu tomar um banho e te conto, viu sua curiosa! Replicou
Luciene, apertando meu nariz. Assenti, e então nos abraçamos. Eu estava tão
contagiada pela alegria dela.
Após o banho, Celso ligou para Luciene e ambos conversaram um tempão, e
o irmão de Cássio ganhou mais pontos com ela. Depois, minha mana me contou sua
transa com ele nos mínimos detalhes, chegou a ficar meio impaciente com minhas
perguntas, mas relatou de boa, e quando ela foi dormir, liguei meu notebook e
escrevi tudo que ouvi, aproveitando para narrar mais uma aventura sexual com
Cássio também, já que a mesma estava atrelada a de Luciene, pois aconteceu
simultaneamente. A escrita havia virado um vício gostoso para mim...
Domingo foi um dia tranquilo. Eu e Luciene demos uma arrumada na casa e
ela insistiu para fazer o almoço, e fez um assado de panela para se comer de
joelhos, um pirão, e uma farofa de feijão maduro, além do tradicional arroz,
salada e maionese. Comemos até quase passar mal, quase não levantamos da
cadeira, porque a comida estava divina...
—Luciana, você disse que tem dois amantes. Um é o Cássio, e quem é o outro?
Comentou e indagou Luciene, se abanando com uma revista, pois o calor estava
brabo.
—Um pastor evangélico! Respondi, e Luciene arregalou os olhos e
derrubou a revista.
—Como é Luciana? Um... pastor? Perguntou Luciene, estarrecida.
—Sim, e é um homem maravilhoso, sou louca por ele! Respondi e
confessei.
—Meu Deus... e... isso dá certo mulher? Comentou e indagou Luciene.
—Vem dando certo até agora, e não tem porque dar errado! Repliquei,
segura.
—E ele... é casado? Normalmente pastores são casados! Indagou e disse
minha mana.
—Viúvo. Sua esposa morreu há dois anos, e... mesmo que fosse casado, eu
não estaria nem aí Luciene, porque ele me faz feliz, me satisfaz, é cordial,
discreto e uma pessoa maravilhosa fora da cama. Desde que o vi pela primeira
vez... o desejei com todas as minhas forças, e não me arrependo nem um pouco de
ter me entregado a ele! Desabafei, com o coração palpitando.
—Entendo... o importante é que você está feliz, seus olhos brilharam ao
falar dele, e isso é o sinal mais claro de paixão, mas... está tudo bem assim?
Viver nessa informalidade sentimental, ainda casada? Comentou e indagou
Luciene, preocupada comigo.
—Não existe informalidade sentimental Luciene, e sim relacionamento
informal, e isso basta para quem quebrou a cara no casamento como nós duas!
Retruquei, enfática.
—Sim, foi isso o que eu quis dizer, e também ainda não me imagino em um
novo compromisso, por mais que o cara seja bonito, inteligente, amável, pirocudo
e uma delícia na cama como o Celso! Rebateu e explanou Luciene, sincera.
Corroborei com a cabeça.
—É Luciene, você está livre, e eu... pretendo me libertar esse ano!
Repliquei e endossei.
—Não tem coisa melhor do que curtir a vida sem preocupação Luciana, sem
o medo de ser descoberta, então... agilize seu divórcio, e tome cuidado, porque
não existe informalidade sentimental, mas a paixão em um relacionamento
informal existe, e ela pode ser perigosa pra quem está nas sombras! Replicou e
aconselhou Luciene. Assenti, depois demos as mãos, sorrindo uma para a outra, felizes
com nosso momento íntimo...
Na segunda-feira, Luciene sairia com Celso e passaria um dia inteiro curtindo com seu... é, ela disse que não, mas um namoro era sim algo bem concreto, embora ela teimasse em dizer que era abstrato, porque a ansiedade era nítida em minha irmã, os olhos brilhantes, o jeito com que falava dele, enfim, arriada de paixão pelo pauzudo gostoso. Ela estava tão carente quanto eu e eu entendia isso.
Como eu tenho uma cópia das chaves de
minha casa, saí para trabalhar despreocupada, pois ela ficou dormindo na hora
em que saí. Eram 6h35, e ansiei fortemente trombar com meu pastorzinho gostoso
na padaria...
Eu poderia ter me sentado de frente para a entrada da panificadora para
ver meu amante tesudo entrando, porém, preferi ficar de costas, para ser
surpreendida, para ter meu copo de café filado por ele de novo, então sorri a
esmo, mordendo o lábio inferior, porém...
—Bom dia, professora Luciana! Disse uma voz masculina familiar, e que
não era de Rodrigo. Olhei rapidamente para cima e arregalei os olhos ao vir
Ricardo, o Engenheiro Civil namorado de Lidiane, que juntos me fizeram viver
uma das histórias mais tocantes de minha vida. Ele estava bem vestido e
charmoso, trajando uma camisa branca com mangas dobradas até os cotovelos e uma
calça jeans azul-marinho, frouxa, finalizando com um sapato social preto.
—O-Oi Ricardo! Que surpresa agradável vê-lo aqui! Comentei, realmente
impactada.
—Posso conversar com você um instante? Prometo que é rápido! Propôs o
moreno.
—Claro, por favor, sente-se! Respondi e gesticulei para ele se sentar.
Seu olhar para mim não denotava desejo sexual algum, era totalmente
desinteressado. —E aí querido engenheiro? Quais são as novidades? Como vai indo
sua relação com Lidiane? Completei, questionando.
—Ah Luciana, eu só tenho a lhe agradecer por sua sutil intervenção em
meu anseio de tirá-la daqui. A vida daquela jovem se transformou, mas não direi
nada, ela mesma vai visita-la entre hoje e amanhã, meu assunto com você é
outro, e... lhe procurei porque... você acabou se envolvendo indiretamente
nessa história! Respondeu e desabafou Ricardo, bem sério.
—Nossa... e... do que se trata? Indaguei, porque pela cara de Ricardo,
ele não queria um bis sexual; sua aura estava diferente, era como se fosse
outro Ricardo diante de mim.
—Mardônio e Marlon estão mortos, morreram quase no final do ano
passado, e... foi graças a sua cooperação em influenciar Lidiane a sair desse
bairro, que a operação foi um sucesso, e nosso amigo Cleilson, assim como sua
esposa... podem descansar em paz! Revelou Ricardo, e estarreci totalmente, o
pão que eu segurava caiu no chão, e senti um calafrio...
—Então... você... é um policial! Afirmei, quase balbuciando,
bestificada.
—Sim, eu era um reservado, e montar a farsa de Engenheiro Civil foi
simples. Me aproximei de Lidiane afim de sondar os passos de seus irmãos
assassinos, mas... no percurso, me apaixonei, juro por Deus professora, me
apaixonei pela Lidiane sim, e vendo que aquela garota tinha um caráter ilibado,
que ela não compactuava com as atrocidades de seus irmãos e assim como sua mãe,
eram vítimas de toda essa maldade, decidi ajuda-las, e hoje aquela jovem está vivendo
com mais dignidade! Revelou Ricardo, com os olhos marejados de emoção.
—Meu Deus... a... Lidiane sabe disso? Indaguei, bestificada. Ricardo
então respondeu:
—Só sabe que os irmãos morreram. Para ela... eu continuo sendo o
Ricardo Engenheiro Civil, então, como ela vem lhe visitar... por favor,
mantenha esse segredo, eu... estou contando isso para você, porque também sei
do seu caráter ilibado, e em face dos momentos tão sublimes e ternos que
tivemos, me senti na obrigação de abrir o jogo com você!
—Eu já desconfiava disso, você nunca teve pinta de Engenheiro Civil!
Retruquei.
—Me perdoe por ter mentido para você, me senti mal com isso, tanto que
estou aqui, mas... não tenho coragem de revelar algo assim a Lidiane, e... não
vejo necessidade de revelar! Disse Ricardo, visivelmente consternado. Dei um
longo suspiro e indaguei, meio indignada:
—O que mais é farsa nessa história? Seu sonho de ser pai? Ricardo
desabafou:
—Só... minha profissão mesmo! O resto... não é mentira, minha vida
segue incompleta, segue com uma lacuna dolorosa, mas... depois de tudo, não
sei... se Lidiane pode preencher essa lacuna, porém, estou feliz, orgulhoso
dela, e tirá-la de perto daqueles marginais foi o mais sensato a se fazer,
porque o certo é preservar vidas que querem viver, vidas que têm sonhos e lutam
pelos seus sonhos, e vidas que destroem vidas e destroem sonhos... essas não
fazem falta!
—Será que a mãe deles pensa como você? Retruquei, com pena daquela
senhora.
—A mãe deles sequer chorou quando soube da notícia, só disse: “é...
quem procura, um dia acha”, e entendi que aquela mulher já chorou tudo que
podia chorar... tentando conscientizar quem não tinha consciência, e ela agiu
assim porque olhou para sua filha mais nova, tão pura e ainda dependente dela,
depois para sua filha mais velha, lutando por elas e lutando para mudar sua
realidade, e viu... que não valia a pena chorar mais! Rebateu Ricardo.
—Não existe mãe que não chore pela perda de um filho Ricardo, é uma dor
incomensurável, incurável, ela... só se conformou, mas sempre vai chorar num
cantinho, sem ninguém ver, sem ninguém ouvir, ela sempre vai sentir sua lacuna
doer, assim como as mães das vítimas daqueles dois também choram! Repliquei, e
vi Ricardo assentir, porém, argumentou:
—Eu sei... não quis parecer desumano, mas a vida sempre trará dores; se
por um lado a mãe de Lidiane chora por não ter conseguido salvar seus filhos
dessa vida criminosa, do outro, duas avós, de dois garotinhos... choram em
dobro, porque terão de explicar um dia... a razão de seus filhos, pais deles,
não estarem mais aqui, então é complicado Luciana... algumas lágrimas pesam gramas,
e outras... pesam toneladas, e a dor de um, sempre será maior que a do outro!
—E... você vai manter esse embuste até quando? Repliquei, ainda
impactada.
—Não fui eu quem puxou um dos gatilhos das escopetas Luciana, não fui
eu quem ajudou a enterrá-los no mesmo terreno baldio onde eles enterraram
tantas pessoas, não fui eu quem julgou e sentenciou aqueles dois à morte. Sou
apenas um investigador, só... fiz o meu trabalho, e no meu trabalho... nunca quis
e nem precisei matar ninguém! Retrucou Ricardo.
—Eu... só estava... demonstrando empatia com a mãe de Lidiane, não
quis... defender aqueles dois e... tampouco menosprezar a dor das mães das
vítimas, e... sei que você estava fazendo seu trabalho, mas... como vai
conviver com isso? Você... foi parte disso! Repliquei.
—Que relevância isso tem? Lidiane e sua pequena família estão seguindo
em frente, estão progredindo, vivendo com dignidade. Eu tenho mesmo que ter
crises de consciência por entregar as cabeças de dois assassinos malditos à
polícia, ao mesmo tempo que consegui livrar TRÊS vidas inocentes de um destino
trágico e injusto? Rebateu Ricardo, e fiquei surpresa.
—Está certo, não... se preocupe! Falei, garantindo guardar segredo.
—Bem... muito obrigado mais uma vez, você... é a melhor professora do
mundo! Agora preciso ir, tenha um bom dia, e lhe desejo muita paz! Disse
Ricardo, que se levantou.
—Você... ainda quer que a Lidiane... seja mãe do seu filho? Questionei.
—Nada me faria mais feliz nesse mundo, do que ser pai! Disse Ricardo,
que se foi...
Cheguei à escola, e nem sei como consegui andar até a mesma, de tão
chacoalhada que fiquei com essa conversa que tive com Ricardo. Passei pelo
simpático vigia que ainda substituía Ariovaldo e mal respondi direito seu
cordial cumprimento, esbarrei em alguns alunos ao passar, e só saí da catatonia
ao ouvir a voz de Raimunda, me cumprimentando atrás de mim:
—Bom dia Lulu! Me virei de uma vez, peguei a coroa pelo pulso e a levei
para debaixo de uma árvore que havia próxima a sala dos professores, e lá,
desabafei:
—Raimunda do céu, acabei de encontrar com aquele namorado da Lidiane, o
Ricardo!
—Sim mulher, e o que aconteceu? Você está meio pálida! Indagou e
comentou a coroa.
—Ele revelou a mim que era um reservado! Cochichei, e Raimunda franziu
o cenho.
—Ah safadona, isso não me surpreendeu nadinha, eu disse a você que ele
era policial; reservados sabem se camuflar muito bem, e outra, eu já estou
sabendo que os irmãos da Lidiane morreram, e já estavam marcados para morrer
mesmo, porque mataram um policial! Retrucou Raimunda, em tom baixo de voz,
depois riu, sem qualquer surpresa ante a minha revelação.
—Poxa, não vi no noticiário da TV e nem aquela página do Face dedicada
ao nosso município e que seguimos comentou nada, então como você soube?
Repliquei indagando.
—Lembra que meu cunhado trabalha na Civil? Deve conhecer o Ricardo. Lulu,
um caso desse, o qual foi um acerto de contas, uma retaliação, tem de ficar em
off para não chamar a atenção da imprensa lacradora e de curiosos! Rebateu Raimunda,
então comentei, sussurrando:
—A Lidiane não sabe que o Ricardo é policial!
—Bem, se for do interesse dele continuar comendo a novinha, é claro que
ele vai seguir sendo o Engenheiro Civil né? Replicou Raimunda, rindo, e
assenti, também rindo...
Após o expediente, fui para casa, e fiquei alerta à espera da visita de
minha ex-aluna. Será que ela realmente não sabia que Ricardo era um policial?
Não estaria Lidiane se fazendo de morta, afim de não perder a grande chance ofertada
pelo namorado, de vencer na vida? As pessoas têm seus segredos, e também têm
seus acordos para manter certos segredos...
Ao término do almoço, fiquei no sofá relaxando um pouco e vendo
besteiras no YouTube. Eu trajava uma blusinha azul de alças e de comprimento
médio, e uma saia godê média, sem calcinha, pensando no meu pastorzinho roludo
e delicioso, morta de saudades dele, então escutei um carro parando em frente
ao meu portão, e levantei de um salto, fiquei detrás da porta, e pelas
venezianas da mesma, reconheci Lidiane, que bateu palmas. O carro se foi.
Corri até o portão e o abri, em seguida vi aquela lindeza de mulher, que
ao me vir, deu um lindo sorriso e não perdeu tempo, me abraçou ternamente.
—Professora... que saudade da senhora, muita saudade! Disse Lidiane,
quase chorando.
—Oi meu amorzinho, eu também estava com muita saudade! Respondi, e
apertamos nosso abraço, beijei a cabeça de Lidiane e nos fitamos. Minha
ex-aluna trajava uma blusinha de alças na cor vermelha, com estampas floridas,
e um shortinho médio, estava linda. —Vem meu amor, vamos entrar! Completei,
convidando a jovem. Ela assentiu e fomos para dentro.
Ficamos na cozinha, lugar onde dei minhas aulas de reforço para aquela
jovem tão determinada e faminta por vencer na vida, sentamos à mesa e ela deu a
boa notícia:
—Professora, eu passei no ENEM! Meus olhos arregalaram, e a abracei de
novo.
—Meu amorzinho, meus parabéns, e vai cursar medicina? Parabenizei e
indaguei.
—Não deu pra atingir a nota exigida pela Universidade Federal, mas tudo
bem, eu... não quero mais ser médica! Respondeu Lidiane, com olhar pleno de
orgulho.
—É meu amor? E o que quer ser então? Repliquei e indaguei.
—Quero... ser professora! Escolhi Pedagogia! Disse Lidiane, e ao ouvir
aquilo, chorei de emoção na hora, foi instantâneo, minha face tremeu e me
arrepiei toda... e a abracei.
—Oh meu amor... que lindo, e... por que decidiu pelo Magistério?
Comentei e indaguei.
—Porque ensinar... é a coisa mais linda do mundo, e a senhora me
ensinou coisas que jamais vou esquecer, é a melhor professora do mundo, e me
inspirou! Depôs Lidiane, chorando.
—Meu amorzinho... ser professor neste país não é fácil, você viu o que
eu aguentava naquela sala; já fui ameaçada, xingada, desrespeitada. É um
caminho de pedras e cacos de vidro muito afiados, mas ao mesmo tempo... é a
profissão mais importante de todas, porque sem um professor... ninguém é
alguém, e por muitas vezes pensei em desistir, mas você... é uma das razões que
me fazem sentir orgulho dessa profissão! Parabéns pela escolha! Desabafei.
—Eu sei... minha intenção é ser professora de Educação Infantil, e... é
uma forma indireta de ser pediatra né? Acredito que seja menos estressante!
Replicou Lidiane, sorrindo.
—É... fácil também não é, mas é bem mais tranquilo! Meu amorzinho, você
soube o que quis, então vá em frente e lute, a vida da gente é uma luta sem
fim, e não deixe de estudar, quando terminar a faculdade, especialize-se, faça
Pós-graduação, cresça e cresça mais, seja uma inspiração para sua irmãzinha,
porque inspirar as pessoas com o que é bom, nos torna mais que vencedores,
então seja sempre o bom exemplo! Repliquei e aconselhei, e Lidiane sorriu.
—Eu... agora ensino as tarefinhas da minha irmã, e também tô ensinando ela a ler! Contou minha aluna, toda orgulhosa, e a encarei com mais orgulho ainda.
—Ai que legal, tenho certeza de que você será uma ótima professora! Falei, e Lidiane sorriu.
—Meus irmãos... morreram, não sei se a senhora sabe! Comentou Lidiane.
—É... eu soube! Sinto muito, dê minhas condolências à sua mãe!
Respondi, penalizada.
—Minha mãe nem chorou, eu não chorei, não teve velório, não teve
enterro, e também não fizemos questão de nada disso. Nos libertamos deles,
porque só eu e minha mãe soubemos o inferno que passamos, já levamos mãozadas
da polícia, os traficantes nos ameaçavam o tempo todo, quebraram nossa casa uma
vez, então professora... não fazem falta, quem quer que tenha matado o Mardônio
e o Marlon... fez um bem a nós! Desabafou Lidiane, e engoli a pesada saliva.
—É... não deixa de ser triste uma família destruída pelo crime; choram as famílias das vítimas, as famílias dos bandidos... e por mais que você não se importe... é triste sim! Repliquei.
—Professora... meus irmãos... queriam me prostituir pro traficante... senti muito medo, isso só não aconteceu... porque minha mãe não deixou; eu sei que eram meus irmãos, a gente se dava bem, mas eles... escolheram essa vida de vagabundagem... a gente pediu, implorou e aconselhou, mas não adiantou! Desabafou Lidiane, chorando, e a abracei forte, também emocionada.
—Mas meu amor... Deus nos protege, quando Ele sabe que não queremos e não compactuamos com o mal e o errado... manda um dos seus anjos para nos guardar, e no caso... ele mandou um anjo chamado Ricardo, que protegeu você, sua mãe e sua irmãzinha! Repliquei, segurando e fitando com ternura e empatia o rostinho jovem dela e enxugando suas lágrimas com os polegares.
—É... o Ricardo... é um anjo mesmo! Disse minha aluna, sorridente.
—E... como vocês souberam? Indaguei, jogando uma verde e impressionada.
—O Ricardo que falou! No dia em que ele veio aqui resolver umas coisas
da nossa casa, um vizinho comentou com ele, e depois ele nos disse! Respondeu
Lidiane, POUCO convincente.
—E... como vai a relação de vocês? Perguntei. Os olhos de Lidiane
brilharam.
—Do mesmo jeito, mas ele... ainda fala que quer ter um filho comigo,
e... eu... quero dar esse filho pra ele, porque amo o Ricardo, e o que ele fez
e continua fazendo por mim, é uma prova de amor também! Respondeu e desabafou
minha aluna, sorrindo emocionada...
Ao ouvir aquilo de Lidiane, compreendi porque Ricardo me pediu segredo; porque havia amor naquela história, e esse amor foi alicerçado pela gratidão, pelo desejo de se fazer o bem, de transformar uma vida sofrida em uma vida vitoriosa. Sim, continuaria sendo um caso de novinha com coroa, uma traição, porém... também seria uma linda história de redenção, onde a vida que Lidiane decidiu gerar no futuro... renovaria aquela família.
FIM
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Olá queridos alunos, espero que vocês tenham gostado dessa história, apesar de não ter sexo, mas o significado que ela carrega, certamente vai tocar seus corações, mesmo daqueles que leem apenas para imaginar as situações eróticas que descrevo; sem sombra de dúvida, os capítulos de "MOTIVAÇÕES", estão nas memórias dos que leram, e sempre valerá a pena uma releitura, porque essa sim, foi de longe, a história que mais causou conexão com os leitores quando a postei.
Sugiro que quem leu a primeira vez, releia para entender o que acontece nessa história; aos que não se lembram de todos os detalhes, recomendo a releitura igualmente. Aos que têm dúvidas se meus relatos são reais, leiam e releiam SEMPRE a minissérie "MOTIVAÇÕES", ali tem um lado humano não só meu, mas das pessoas que participaram deste, que além de ser um dos melhores momentos de minha vida sexual, é O MELHOR momento de minha vida de professora.
Sem exagero, nem meus atuais cinco alunos de reforço, são focados e aguerridos como Lidiane. Eles têm sim uma base sólida, e isso torna meu trabalho mais suave, mas pegar uma garota que era uma aluna regular, que passava raspando em minha disciplina e fazê-la passar no ENEM com uma nota satisfatória, só a torna um exemplo a ser difundido para essa juventude cada vez mais perdida.
Sempre que eu começo a esmorecer diante da árdua, ingrata e agora cada vez mais perigosa profissão de professor, releio essa minissérie e lembro de como meu papel e o de meus colegas é fundamental para ajudar jovens como Lidiane a nunca desistir, lutar até vencer, com fé e amor, e isso me deixa orgulhosa de ser professora, isso me MOTIVA a nunca parar. EU AMO ser professora.
Postar textos sem sexo em um site onde as pessoas querem ler sexo e ainda fazer sucesso, é algo para poucos, só mesmo quem narra A VIDA COMO ELA É, consegue tocar os leitores, porque a conexão precisa ir além de simplesmente contar como foi uma trepada em seus mínimos detalhes, então o sucesso expressivo dessa minissérie se deu por conta da SINCERIDADE com que ela aconteceu.
A foto que ilustra esse relato, foi tirada quase no final de 2021, em uma visita de Lidiane. Linda e cheia de luz, essa mulher segue cada vez mais guerreira. Continua sim sendo amante de Ricardo, ainda não engravidou, mas, pelo andar da carruagem, o grande sonho desse homem será realizado sim...
Beijos, curtam bastante essa postagem dupla de hoje, e amanhã, mais uma postagem dupla.
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Comentários

Que história emocionante.
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