ESCREVER NÃO É UM DOM, É PRÁTICA.


Hoje vamos falar sobre escrever, e neste texto, mostrarei a vocês que não é difícil impactar as pessoas com uma história, mas digo história na FORMA como ela é contada, seja ela real, fictícia, ou um com pitadas do outro, não importa, o que importa é SABER conta-la.

Ao longo de minha experiência nos sites de contos eróticos, recebi muitas mensagens de leitores me questionando se o que leram, era real ou fictício, pois a narrativa, os detalhes, tudo os impressionou a ponto de... ficarem em dúvidas se leram uma história verídica, e isso é perfeitamente compreensível, porque raramente um autor de contos eróticos, por mais que também conte histórias verídicas, consegue imprimir os detalhes e narrativa que imprimi.

Não me considero uma escritora profissional, na verdade, se um escritor de renome lesse meus relatos, veria falhas e provavelmente uma certa pobreza na narrativa, não sei, só acho isso, e talvez vocês discordem, pois NUNCA recebi uma crítica sobre a construção dos meus textos, recebi sim, críticas relacionadas a extensão dos mesmos e descrença de que eram reais, mas mal escritos, isso jamais, e não digo isso com intenção de me gabar, pois nunca almejei publicar um livro com meus relatos, a escrita... é apenas uma paixão, um hobby.

                Escrever para mim, sempre foi algo maravilhoso, ora uma terapia para me acalmar, ora pura diversão, e eu fazia isso desde menina, relatando meu cotidiano em um diário, mas claro, sem a polidez com que escrevi meus relatos eróticos, e isso se deu, porque sempre adorei ler, e a leitura é o primeiro e importantíssimo passo para qualquer pessoa que anseia ser escritor dar, e aí sim, caso adquira paixão pela leitura, tentar escrever é o segundo passo, porque não adianta querer ser escritor seja lá do que for, se não gostar de ler, se não tiver paciência para ler.

                Meu estilo narrativo prolífico e detalhista demais, vem da influência dos autores que li desde a adolescência, e quando vivenciei e segui vivenciando toda essa loucura sexual em minha vida, percebi a dimensão do que essa transformação causou em meu ser, e simplesmente não poderia deixar algo assim só na memória, então, como eu já tinha o hábito de escrever à mão desde nova o meu cotidiano, decidi que relataria em texto essa nova sexualidade, essa redescoberta, mas no início, sequer tive intenção de publicar na internet, pois tudo isso era meu “diário erótico eletrônico”, criado para que no dia em que eu sentisse saudade, ao invés de forçar a mente recriando as cenas, as faria através da leitura do que documentei.

                Outra ressalva que eu tinha em relação a publicar essas aventuras, era justamente o medo de ser chamada de louca ou mentirosa pelos leitores, porque de fato, tudo isso que vivi e documentei, com essa riqueza de detalhes, soa sim inacreditável, porém, ao me deparar com homens, mulheres e casais que experimentaram as mesmas coisas que experimentei e assinaram embaixo tudo o que leram, me surpreendi, e passei a viver em paz com isso.

Outras perguntas recorrentes feitas pelos leitores ao longo desse tempo são: “como você conseguiu lembrar de tudo tão perfeitamente? As falas, lugares, roupas, enfim, foi tudo desse jeito mesmo?”. Bem, sou uma profissional da área de exatas, professora de matemática, então, quem estuda e vive as ciências exatas, tem uma memória afiada e treinada, a qual recebe de nossos olhos, as informações captadas e as processa, conservando-as por mais tempo vívidas.

Cada evento sexual vivido por mim, foi escrito cerca de 24 ou 48 horas após ocorrido e consumado, então tudo estava bem fresco em minha mente; os mínimos detalhes, aquilo que ouvi, falei e senti, tudo fervilhava eu meu cérebro, transbordava, então era só escrever, e como mencionei, escrevi só para mim, como meu diário íntimo, sem intenção de expor ao público.

                Contudo, engana-se quem acha que meus autores prediletos são do gênero erótico. Meus temas preferidos são terror, suspense e ficção científica. Surreal e inacreditável né? Mas é verdade, e da literatura erótica só tenho o livro “Mulheres”, do Charles Bukowski e alguns contos do Marquês de Sade, e eles sequer me inspiraram a desenvolver o estilo narrativo que vocês conhecem. Sem dúvida são ótimos autores, têm histórias muito cativantes, mas não os usei como inspiração, a narrativa deles, a meu ver, não daria o resultado que eu esperava.

                Todo escritor tem suas influências, e isso nada tem a ver com cópia. Influência é algo que nos inspira a agirmos modo semelhante ao agente influenciador, mas com nossas convicções, e no meu caso, a influência dos autores que curto ocorreu devido ao estilo narrativo usado por eles para contar suas histórias, e é a seguir que vamos nos aprofundar nisso.

                Não tenho um autor preferido, e sim vários, mas sempre suspirei pela narrativa de dois monstros sagrados da literatura contemporânea: Stephen King e George Orwell. Em um primeiro olhar, você deve achar meio absurda essa minha colocação e dizer que são autores com propostas MUITO distintas, e concordo, mas é aí que está o pulo do gato.

                Ambos são autores de ficção e fantasia, PORÉM, com fortíssimas doses de realidade, usando a vida real como pano de fundo para o desenvolvimento de suas narrativas fictícias, o que leva os leitores a profundas reflexões sobre aquilo que leram, e é a forma como esses autores conversam conosco sobre o mundo real e palpável das pessoas, que influenciou minha maneira de expor a realidade não só minha, mas das personagens que vocês já conhecem.

                Dissecando mais sobre isso, o ponto em que quero chegar, para que vocês entendam de forma mais clara e objetiva, é que como leitora voraz, uma vez que decidi escrever tudo que vivenciei sexualmente, adotei o estilo contador de história desses escritores para prender vocês em minha narrativa, por mais longo que meus relatos sejam, e eu sei que são longos, mas tenho absoluta certeza, que a leitura flui, e vocês nem sentem a extensão do texto, e é justamente nesse ponto que a influência dos autores que leio mostra sua força.

                Comparando meus primeiros relatos com os atuais, isso no sentido de construção textual e arranjo dos fatos, percebi que evoluí bastante, mesmo continuando prolífica, e por mais que eu tente corrigir isso, é impossível, porque meu desejo de fazê-los viajar para dentro da história e senti-la com intensidade, acaba por tornar meus textos longos, porém, longos mas não com encheção de linguiça, e sim com detalhes pontuais para que todos entendam.

                Sendo assim, se vocês desejam ser escritores ou melhorar sua escrita, o conselho que dou é: leiam, leiam e leiam, mas leiam muito, porque o vocabulário novo que aprendemos a cada livro lido é fenomenal, e é um dos detalhes que vai nos diferenciar, vai atrair leitores, e então, após uma boa bagagem de livros lidos e vocabulário mais encorpado, comece a rascunhar, e essa dica que dou é para QUALQUER tema que vocês quiserem abordar, seja erótico, com contos reais ou inventados, ou ficção científica, terror, comédia, romance, enfim...

                Enxergue seu texto como um corpo, com cabeça, tronco e membros, ou de forma mais objetiva: começo, meio e fim, estabelecendo de forma bem clara cada período para o leitor, afim de que ele sinta onde começou, onde desenvolveu e onde vai terminar, por mais imprevisível que seja esse desfecho. Entenda seu texto como um ser vivo.

O leitor precisa literalmente, ser penetrado pelas palavras e frases que lê, e acredite... é justamente isso que ele busca, uma relação, por que não dizer, “sexual” com o texto para o qual vai empregar seu tempo, e ele precisa terminar a leitura satisfeito e querendo mais.

                Claro que o parágrafo acima é uma obviedade, mas por incrível que pareça, é um detalhe que passa despercebido ou é desprezado por muitos autores de contos eróticos, mesmo aqueles que narram histórias verídicas, pois ao falarem de si, suas namoradas ou esposas, se esquecem que são seres humanos, gente com alma, mente pensante e motivações, e o leitor mais atento quer sim saber disso, quer sim criar um elo com o personagem que lhe foi apresentado.

                Percebem como escrever não é um dom, e sim uma prática? Um estudo que requer acima de tudo: paixão pela escolha de ser escritor, e disciplina para trilhar este caminho?

                Escrever pode ter várias finalidades, e elenca-las tornaria o texto enfadonho, pois muitos aqui sabem o que leva pessoas a escreverem, mas no meu caso, como já dito antes, sempre foi para desabafar, fossem momentos angustiantes ou felizes; para mim, a escrita me acalma, faz bem para minha alma, mesmo que após ter terminado de escrever eu ache uma bosta o que escrevi e apague tudo, mas o intuito de buscar serenidade e paz foi alcançado no processo.

                Para que um escritor ganhe atenção, é preciso saber jogar com as palavras, e isso nada tem a ver com inventar ou aumentar certos detalhes, e sim, ORGANIZAR a narrativa afim de prender a mente do leitor. O jogo de palavras consiste em criar uma espécie de “teia”, para capturar o leitor e lhe dar a satisfação que ele busca, mas principalmente: fazê-lo sentir vontade de reler, e é por isso que vez ou outra as mesmas pessoas comentam de novo em meus relatos publicados no contoerotico.com, porque sentiram saudade do que leram, ficaram com diálogos e descrições reverberando em suas mentes, e isso foi o jogo de palavras bem sucedido.

                O jargão “surreal e inacreditável” que sempre emprego em meus relatos, é justamente para deixar o leitor com a pulga atrás da orelha, se perguntando: será? É possível? É verdade? Mas ao mesmo tempo que esse detalhe o deixa desconfiado, também o conforta, e sabem por que? Porque os elogios que recebo são os de que sempre faço os leitores serem transportados para dentro das situações que narrei, dando-lhes o poder de serem os machos que me possuíram, e segundo eles, pouco importa se é real ou fictício, porque a história os conquistou.

                Espero que tenham entendido minha mensagem, e me perdoem se fui muito técnica, mas creio que esse texto vai servir como um norte para quem quiser contar suas histórias, sejam reais ou ficcionais; são dicas e não um tutorial de como ser escritor, porque não tenho cacife para ser uma escritora e sonhar com os louros dessa profissão, nunca quis publicar um livro, porque os bastidores da publicação do mesmo são estressantes, e isso me afugenta da ideia.

                Não vou sugerir livros ou autores para influenciar vocês, caso queiram se aventurar como escritores, porque isso é um gosto pessoal meu e pode gerar discordâncias; prefiro sugerir que leiam, apenas leiam, porque todo escritor ou pretendente a escritor, precisa amar a leitura, fazer dela um hábito, mas não um vício, pois todo vício é prejudicial, então, equilíbrio em TUDO.

                É isso meus queridos alunos, essa pequena explanação foi para que vocês saibam mais sobre mim e entendam como é o processo de construção dos meus relatos. Vou deixar essa postagem fixa como link para visitas, caso novos leitores acessem o blog, pois julgo importante ajudar aqueles que têm boas histórias para contar, mas não sabem como contar.

                Beijos, e até segunda, com a postagem de mais um relato bem safado e gostoso.

Comentários

  1. Excelente texto. Você é incrível.

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  2. Saudação professora Lu (maik)
    Belo texto como a senhora disse "escrever não é dom e prática", pra um boa escrita e preciso bom momentos de leitura .

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